Novos elementos de investigações da Polícia Federal sobre uma suposta conspiração visando um golpe de Estado no País ampliaram as suspeitas envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Relatório da PF, obtido pela revista Veja, cita dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que mostram que o ex-presidente transferiu R$ 800 mil para um banco dos Estados Unidos antes de viajar ao país no final de 2022.

O objetivo da transferência, segundo a apuração, seria se manter em solo americano enquanto uma tentativa de golpe de Estado se desdobrava no Brasil. A transferência de Bolsonaro foi revelada pelo jornal O Globo em julho de 2023.

A operação de câmbio de R$ 800 mil foi realizada em 27 de dezembro de 2022.

À Coluna do Estadão, o ex-presidente afirmou que transferiu o dinheiro para fora do País porque acreditava “na derrocada completa da poupança no Brasil” com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A PF afirma que os recursos financeiros transferidos por Bolsonaro podem ser “ilícitos e lícitos”, por suspeitar que parte do montante transferido tenha sido acumulado com o “desvio de bens de alto valor patrimonial entregues por autoridades estrangeiras”.

A tentativa de entrada ilegal de joias recebidas em viagens oficiais pelo governo Bolsonaro foi revelada em março de 2023 pelo Estadão.

De acordo com a PF, Bolsonaro e os demais alvos da Operação Tempus Veritatis “tinham a expectativa de que ainda havia possibilidade de consumação do golpe de Estado”.

‘Atípica’

Em um relatório de julho de 2023, o Coaf identificou uma transação bancária “atípica” do tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Em janeiro daquele ano, Cid enviou mais de R$ 300 mil do Brasil para os Estados Unidos, em transferência que, segundo o Coaf, poderia indicar “tentativa de burla fiscal ou ocultação de patrimônio”.