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Delegada esposa de homem que matou gari é afastada de suas funções

O afastamento foi publicado no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais e tem validade inicial de dois meses, com possibilidade de prorrogação.

Isabella Lopes

27 de agosto de 2025 às 15:49   - Atualizado às 16:00

Empresário ao lado da esposa delegada e gari assassinado.

Empresário ao lado da esposa delegada e gari assassinado. Fotos: Reprodução. Arte: Portal de Prefeitura

A delegada Ana Paula Lamego Balbino, da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), recebeu afastamento das funções por 60 dias para tratamento de saúde. A licença foi concedida pelo Hospital da Polícia Civil no dia 13 de agosto, dois dias após o assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, de 55 anos, em Belo Horizonte. O marido da delegada, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, confessou ser o autor do crime.

O afastamento foi publicado no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais e tem validade inicial de dois meses, com possibilidade de prorrogação conforme avaliação médica. O laudo apresentado não informa qual é o diagnóstico de saúde da delegada, apenas justifica a necessidade de afastamento temporário das atividades.

Ana Paula é titular da Casa da Mulher Mineira, vinculada à Divisão Especializada de Atendimento à Mulher. Segundo a Polícia Civil, o funcionamento da unidade continuará normalmente durante o afastamento da delegada. A instituição já está promovendo ajustes internos para garantir a continuidade dos atendimentos ao público, com o remanejamento de outros delegados para cobrir a ausência.

Crime aconteceu em 11 de agosto

O assassinato de Laudemir aconteceu na manhã do dia 11 de agosto, no bairro João Pinheiro, região Noroeste de Belo Horizonte. Segundo as investigações, Renê Nogueira se irritou com o barulho do caminhão de coleta de lixo que operava na rua e, após uma discussão, atirou contra o gari. O trabalhador morreu no local.

O empresário confessou o crime e alegou que pegou a arma da esposa, uma pistola calibre .380, sem o consentimento dela. A arma pertence a Ana Paula e está registrada como de uso pessoal da delegada. O fato de o armamento estar em posse do autor do homicídio gerou questionamentos sobre eventual responsabilidade da policial.

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Diante da gravidade da situação e da relação pessoal entre a delegada e o autor do crime, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil abriu investigação para apurar a conduta de Ana Paula Lamego. Além disso, a PCMG instaurou um inquérito policial e um processo administrativo para avaliar se houve omissão, negligência ou qualquer outro tipo de infração por parte da servidora pública.

A corregedoria quer esclarecer, entre outros pontos, como a arma foi acessada pelo marido e se a delegada tinha conhecimento da retirada do armamento. Mesmo com a declaração de Renê, que disse ter pegado a pistola sem avisá-la, os investigadores seguem apurando todas as circunstâncias envolvendo a posse e o armazenamento da arma dentro da residência do casal.

A PCMG também informou que o processo corre dentro dos trâmites legais e que a delegada permanece afastada de suas funções exclusivamente por questões médicas. O futuro profissional da servidora será definido conforme o avanço das apurações administrativas e da investigação em curso.

 

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