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João Campos vai ao STF e ministro Gilmar Mendes tranca investigação do MPPE na Prefeitura do Recife

Três secretárias municipais estavam sendo investigadas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado de Pernambuco.

01 de fevereiro de 2026 às 08:37   - Atualizado às 09:00

Ministrio Gilmar Mendes do STF e prefeito do Recife, João Campos (PSB)

Ministrio Gilmar Mendes do STF e prefeito do Recife, João Campos (PSB) Foto: Arte/Portal de Prefeitura

Por G1

Menos de uma semana após a denúncia de que a Polícia Civil estaria monitorando, de forma supostamente ilegal, o chefe de Articulação Política e Social da prefeitura do Recife, o ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu uma sentença em que determinou o trancamento de um outro caso de investigação de três secretárias da gestão municipal.

De acordo com a decisão publicada na sexta-feira (30), a qual o G1 teve acesso, as secretárias Luciana Caroline Albuquerque D’Angelo, da Saúde; Maíra Fischer, de Administração; e Adynara Maria Queiroz Melo Gonçalves, executiva de Articulação e Fortalecimento dos Conselhos da Secretaria de Direitos Humanos e Juventude, afirmam que estão sendo alvo de investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado de Pernambuco.

A petição é apresentada pelo PSB, partido do prefeito João Campos, e subscrita pelas secretárias.

Segundo o processo, apuração contra as secretárias teve início para investigar supostas irregularidades na adesão do Município do Recife a atas de registro de preços de consórcios intermunicipais.

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No entanto, as secretárias alegam que a investigação extrapolou esse objetivo inicial, passando a adotar medidas amplas e desproporcionais, como requisições genéricas a diversas secretarias municipais, quebras de sigilo fiscal sem autorização judicial e intimações de servidores, sem delimitação clara das acusações.

Na decisão, o ministro mandou encerrar o procedimento investigatório criminal conduzido pelo Gaeco ao concluir que houve desvio de finalidade, falta de definição clara do objeto da investigação e violação ao princípio da neutralidade estatal estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal.

Gilmar Mendes também determinou que o Gaeco fosse intimado para ciência da decisão, com a advertência de que deve se abster de realizar qualquer ato investigativo sem respaldo mínimo de provas e de divulgar, direta ou indiretamente, informações ou documentos de procedimentos sigilosos, sob risco de responsabilização funcional, administrativa e penal.

O ministro também comunicou o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) sobre o caso, garantindo a preservação do sigilo, para que o órgão avalie a situação e adote eventuais medidas dentro de suas atribuições institucionais, se considerar necessário.

Além das decisões relacionadas com os requerimentos das secretárias, o ministro Gilmar Mendes também determinou no mesmo documento que a Polícia Federal passe a investigar o monitoramento supostamente ilegal contra o chefe de Articulação Política e Social da prefeitura, Gustavo Queiroz Monteiro, realizada pela Polícia Civil (relembre o caso mais abaixo).

"O Supremo oficiou a Polícia Federal para apurar a possível prática de ilícitos penais federais e eleitorais, além de determinar que o Conselho Nacional do Ministério Público apure a atuação dos membros do MP estadual. É importantíssimo e fundamental que a Polícia Federal apure e investigue quem deu a ordem dos atos autoritários e com quais motivações esses atos ocorreram", afirmou o advogado Rafael Carneiro, que representa as secretárias na ação.

O que dizem Ministério Público e governo do estado

A TV Globo entrou em contato com o Ministério Público para entender como o procedimento investigatório realizado pelo Gaeco teve início. Em nota, o órgão informou que não foi cientificado de nenhuma decisão do Ministro Gilmar Mendes. O MPPE disse também que ainda na sexta-feira (30) solicitou formalmente acesso aos autos do processo, que tramita em segredo de Justiça.

Em nota, o governo do estado afirmou que ainda não foi notificado de qualquer decisão judicial relacionada ao caso.

"A gestão estadual reafirma seu absoluto respeito às instituições e esclarece que todas as suas ações na área de segurança pública seguem rigorosamente a legislação vigente e os protocolos técnicos adotados pelas forças policiais em todo o país".

Ainda segundo o texto do governo, "os procedimentos mencionados dizem respeito a diligências preliminares de apuração, adotadas com base em critérios técnicos, dentro dos limites legais e com o objetivo exclusivo de verificar informações recebidas, prática consolidada na atuação policial."

Por fim, o governo afirma que "permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e reitera seu compromisso com a legalidade, a transparência e o fortalecimento do Estado Democrático de Direito."

 

 

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