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Moraes solicita extradição de seu ex-assessor, após denúncia da PGR

A solicitação foi encaminhada ao Ministério da Justiça e chegou ao Ministério das Relações Exteriores no dia 20 de agosto de 2025.

Isabella Lopes

23 de agosto de 2025 às 18:51   - Atualizado às 19:05

Eduardo Tagliaferro e o ministro Alexandre de Moraes.

Eduardo Tagliaferro e o ministro Alexandre de Moraes. Foto: Reprodução/Instagram

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou solicitação de extradição de seu ex-assessor no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo de Oliveira Tagliaferro, atualmente na Itália. A decisão veio após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar denúncia formal contra o ex-servidor por uma série de crimes cometidos durante sua atuação no TSE.

A solicitação foi encaminhada ao Ministério da Justiça e chegou ao Ministério das Relações Exteriores no dia 20 de agosto de 2025. O órgão ficou responsável por formalizar o pedido junto ao governo da Itália

Segundo documento oficial enviado ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, a extradição já está em processo de formalização, o que deve acelerar as tratativas entre os países.

“Informo a Vossa Excelência que o pedido de extradição do Sr. Eduardo de Oliveira Tagliaferro foi encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores, em 20 de agosto de 2025, para formalização junto ao Governo da Itália”, diz ofício do Ministério obtido pelo jornal, dirigido a Alexandre Moraes.

Tagliaferro é acusado de vazamentos e coação

A denúncia assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, aponta Eduardo Tagliaferro como responsável por violar o sigilo funcional, coagir testemunha durante processo em andamento e tentar obstruir investigações sobre organização criminosa.

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A investigação indica que o ex-assessor teria repassado à imprensa, entre maio de 2023 e agosto de 2024, mensagens internas trocadas entre servidores dos gabinetes de Alexandre de Moraes, tanto no STF quanto no TSE. As informações vazadas incluíam diálogos privados e documentos de caráter sigiloso.

O conteúdo teria sido entregue ao jornal Folha de S.Paulo. À época, Tagliaferro já estava sob observação da Polícia Federal, que o indiciou formalmente em abril de 2025.

Atos antidemocráticos estavam sob investigação

No documento apresentado pela PGR, Paulo Gonet afirma que os vazamentos ocorreram em um período crítico, no qual o Supremo apurava diversos episódios ligados a atos antidemocráticos, incluindo a tentativa de golpe ocorrida em 8 de janeiro de 2023. Segundo o procurador, as condutas do ex-assessor contribuíram para enfraquecer o andamento de investigações sobre milícias digitais, disseminação de fake news e atentados contra o Estado Democrático de Direito.

O texto da denúncia reforça que a liberação das informações à imprensa aconteceu justamente enquanto as apurações avançavam na Suprema Corte. O procurador-geral destaca que os dados vazados comprometiam ações sigilosas e colocavam em risco a integridade das investigações conduzidas pelas autoridades.

"A conduta do denunciado torna-se ainda mais gravosa, verifica que, no período compreendido entre a sua e o vazamento das informações, estavam em curso avançado na Suprema Corte inúmeras investigações sobre a escalada de atos antidemocráticos que resultaram nos trágicos eventos de 08.01.2023, entre elas a apuração de infrações penais praticadas por organização criminosa responsável por tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, divulgação de informações falsas, fake news e milícias digitais”, escreveu o PGR, Paulo Gonet.

 

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