Ministros do STF Edson Fachin e Alexandre de Moraes. Foto: Carlos Moura/SCO/STF
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou nesta segunda-feira, 4 de agosto, a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes.
Em evento na Fundação Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo, o futuro presidente da Corte disse que medida se trata de uma "interferência indevida" e "discórdia institucional".
"Divergência não é discórdia institucional", disse o ministro. "Eu entendo que punir um juiz por decisões que tenha tomado é um péssimo exemplo de interferência indevida. Ainda mais quando advém de um país estrangeiro contra um país soberano. Portanto, não me parece que seja um caminho dotado de alguma razoabilidade Ao contrário, acho uma interferência evidentemente indevida, isso funciona como uma espécie de ameaça", afirmou.
Fachin fez a declaração em uma palestra sobre desafios na presidência do Supremo. O ministro assumirá o comando da Corte em setembro, com Alexandre de Moraes como vice.
Na última quarta-feira, 30, Moraes foi incluído pelo governo Donald Trump na lista de pessoas sancionadas pela Lei Magnitsky.
A punição foi aplicada ao ministro por conduzir a ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado de Trump, acusado de planejar a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Moraes está impedido de entrar nos Estados Unidos, além de ser proibido de ter bens e contas em bancos americanos, realizar transferências internacionais e possuir cartões de crédito emitidos por bandeiras estrangeiras, como Visa e Mastercard.
Outros ministros do STF apoiaram Moraes em discursos em defesa da soberania nacional e do sistema de Justiça brasileiro.
Na retomada das atividades do Judiciário, na última sexta-feira, 1º, os magistrados prestaram solidariedade a Moraes e fizeram críticas ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do comunicador Paulo Figueiredo, que têm ostentado nas redes sociais o lobby por sanções ao Brasil.
Estadão Conteúdo
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A escolha do ministro para comandar as investigações foi feita na quinta-feira (12) após Dias Toffoli pedir para deixar o caso.
Em nota, o supremo informou que o ministro, "considerados os altos interesses institucionais", solicitou a redistribuição do caso para outro integrante do tribunal.
Durante o encontro, o presidente da Corte vai dar ciência aos demais membros do STF sobre o material entregue pela PF.
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