Lula e Presidente do IBGE Foto: Ricardo Stuckert/PR
O Ministério Público (MP), em conjunto com o Tribunal de Contas da União (TCU), apresentou representação solicitando o afastamento do presidente do IBGE, Marcio Pochmann, alegando supostas irregularidades na gestão do instituto. Segundo o documento, medidas administrativas adotadas por Pochmann geram preocupação quanto à integridade técnica e institucional da instituição.
O procurador Júlio Marcelo de Oliveira, responsável pela representação, apontou que Pochmann teria promovido sucessivas substituições de servidores de carreira em cargos técnicos por profissionais recém-ingressos. Além disso, servidores ainda em estágio probatório teriam sido nomeados para funções de elevada complexidade técnica, situação considerada fora do padrão administrativo esperado para o órgão.
O MP também criticou a tentativa de criação da Fundação IBGE+, entidade que poderia atuar de forma paralela ao instituto, captar recursos próprios e manejar dados oficiais. Após protestos e rejeição da Advocacia-Geral da União (AGU), a proposta foi suspensa pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO). No documento, o procurador alerta que a criação de uma instituição paralela não pode resultar de ato administrativo isolado da presidência.
Outro ponto destacado foi o risco de interrupção do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), essencial para indicadores econômicos e políticas públicas no setor da construção. O documento também menciona o uso político do IBGE, com supostas publicações oficiais utilizadas para fins de propaganda, o que configuraria desvio de finalidade de um órgão técnico e independente.
O procurador descreveu o cenário como um “quadro institucional preocupante”, que exige atenção do TCU e do MP para garantir a continuidade e a confiabilidade dos dados produzidos pelo IBGE. Até o momento, o instituto não se manifestou oficialmente sobre o pedido de afastamento ou sobre as acusações mencionadas na representação.
Especialistas em administração pública e estatísticas ressaltam que a independência técnica do IBGE é fundamental para a credibilidade de pesquisas econômicas e sociais que norteiam políticas públicas e decisões governamentais. Qualquer interferência política na instituição pode impactar diretamente indicadores oficiais, como inflação, renda, desemprego e investimentos.
A representação do MP junto ao TCU marca mais um capítulo em uma série de críticas recentes à gestão do IBGE, que também incluiu questionamentos sobre mapas publicados e mudanças estruturais na instituição, suscitando debates sobre governança e transparência no órgão.
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