O presidente da Câmara ainda discute a votação da anistia com líderes, mas alguns consideram o momento inadequado.
02 de abril de 2025 às 09:27 - Atualizado às 09:27
Atos do 8 de janeiro e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Fotos: 8/1 / Joedson Alves/Agencia Brasil / Hugo Motta / Divulgação
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), fez um discurso inicial no plenário da Casa na terça-feira, 1º de abril, em que pede "equilíbrio" e "desprendimento político", num momento em que cresce a pressão por parte de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela anistia aos presos do 8 de janeiro.
"Não é hora de seguirmos ninguém, mas de agirmos com desprendimento político, sem mesquinhez, agirmos com altivez, mas sem falsos heroísmos", disse. É hora de equilíbrio, de pragmatismo, de buscarmos acertar e não nos desviarmos para o erro fácil. O povo nos espera responsabilidade e lealdade. E iremos cumprir o nosso dever."
O pronunciamento foi dado enquanto Motta comentava a reação capitaneada pelo Legislativo contra as tarifas importas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros.
Motta ainda está em processo de discussão a possibilidade de definir votação da proposta de anistia com líderes. Alguns desses líderes partidários da Câmara ouvidos pela reportagem afirmam que este não é o momento de tratar o tema.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), deu um ultimato até a terça-feira para que Motta pautasse colocasse o projeto de lei da anistia na pauta da Casa. Do contrário, o partido iniciaria uma obstrução, procedimento adotado para impedir ou desacelerar o avanço de qualquer proposição legislativa.
Como resultado inicial, o colegiado mais importantante da Câmara, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cancelou a sessão marcada para terça-feira, 1°.
A pressão continua em outras frentes - neste mesmo dia, a Comissão de Segurança Pública aprovou uma subcomissão especial para tratar apenas sobre questões relativas ao 8 de janeiro. Esse colegiado é dominado pela bancada da bala, sob hegemonia de bolsonaristas.
O próprio Bolsonaro esteve com líderes do PL e da oposição na manhã de terça-feira para traçar estratégias sobre a anistia. Sóstenes esteve com Motta e saiu do encontro anunciando a obstrução total na Câmara.
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Estadão Conteúdo
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