O terreno possui cerca de 51 mil metros quadrados e está localizado na Região Metropolitana de Salvador. Segundo a reportagem, o imóvel foi adquirido por Jaques Wagner no ano 2000.
18 de julho de 2026 às 13:23 - Atualizado às 13:32
O senador Jaques Wagner (PT-BA). Foto: Divulgação/PT
O senador Jaques Wagner (PT-BA) tentou registrar a venda de um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões um dia após ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) no âmbito da investigação conhecida como caso Master. De acordo com documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, a negociação não foi concluída porque o cartório responsável recebeu uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que tornou o imóvel indisponível.
O terreno possui cerca de 51 mil metros quadrados e está localizado na Região Metropolitana de Salvador. Segundo a reportagem, o imóvel foi adquirido por Jaques Wagner no ano 2000 e estava sendo vendido para um grupo de empresas do setor de incorporação imobiliária. Ainda conforme os documentos, o senador recebeu R$ 2 milhões à vista como parte da negociação.
A operação da Polícia Federal que teve Jaques Wagner como um dos alvos foi realizada em 18 de junho. De acordo com a corporação, a investigação apura suposto favorecimento indevido ao parlamentar, incluindo um pedido para que o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, adquirisse um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, em Salvador. O senador sustenta que a compra foi solicitada para que ele pudesse recomprar o imóvel posteriormente em benefício da filha.
No dia seguinte à operação, em 19 de junho, a escritura de venda do terreno foi apresentada em um cartório da comarca de Camaçari, na Bahia. Entretanto, a transação não foi registrada em razão de uma decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
O documento citado pela reportagem informa que o bloqueio foi determinado para impedir qualquer movimentação envolvendo o imóvel durante o andamento das investigações.
“Em cumprimento ao protocolo nº 202606.2214.04764407-IA-517, datado de 22 de junho de 2026, processo nº 16230, expedido pelo ministro André Luiz de Almeida Mendonça, fica averbada nesta data a indisponibilidade sobre o imóvel objeto da matrícula supra, de propriedade de Jaques Wagner”, registra o documento.
Em nota enviada ao Estadão, a defesa do senador afirmou que não há irregularidades na negociação e informou que os esclarecimentos relacionados ao caso serão prestados exclusivamente na esfera judicial.
“A defesa do senador Jaques Wagner esclarece que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral. Todos os demais assuntos estão e continuarão sendo tratados judicialmente. Todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, diz a nota.
Além da tentativa de venda do terreno, a reportagem informa que Jaques Wagner também negociava a venda do apartamento onde reside, em Salvador, por R$ 10 milhões. O imóvel de 152 metros quadrados teria sido vendido ao prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Passos (União Brasil), adversário político do PT na Bahia.
Segundo o jornal, a negociação do apartamento havia sido iniciada antes da operação da Polícia Federal. O pedido de registro da venda foi protocolado em 10 de junho, oito dias antes da ação da PF. No entanto, o cartório responsável ainda reunia a documentação necessária quando recebeu a ordem do Supremo Tribunal Federal determinando a indisponibilidade dos bens, o que impediu a conclusão do registro.
Ainda conforme a reportagem, Marcelo Passos informou que os pagamentos referentes à compra do imóvel já haviam sido realizados antes da operação policial e afirmou que a negociação ocorreu dentro da legalidade.
“Tenho um nome a zelar e nunca estive envolvido em nenhuma irregularidade. Essa transação foi feita dentro da mais absoluta legalidade e os documentos comprovam isso. O contrato de compra e venda data de dezembro de 2025, todos os pagamentos foram feitos diretamente na conta de Jaques Wagner até meados de abril, e a escritura foi lavrada em maio. Em 10 de junho, demos entrada para registro, portanto, antes da deflagração da operação. Infelizmente, acabei figurando nessa história como terceiro de boa-fé”, declarou o prefeito ao Estadão.
O caso segue sob investigação da Polícia Federal, enquanto as medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal permanecem em vigor. Até o momento, não há decisão judicial sobre o mérito das apurações envolvendo o senador.
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