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Governo MILEI PROÍBE uso de LINGUAGEM NEUTRA em órgãos públicos e FORÇAS ARMADAS

Ricardo Lélis

27 de fevereiro de 2024 às 21:44

O governo do libertário Javier Milei estendeu a proibição do uso da linguagem inclusiva a toda a administração nacional da Argentina, algo que já havia sido aplicado na área da Defesa, informou o porta-voz presidencial Manuel Adorni nesta terça-feira, 27 de fevereiro.

Uma vez oficializada, nenhum documento da administração pública poderá conter o uso da vogal "e" ou dos símbolos "x" e "@" para expressar a indeterminação de gênero, bem como a "inclusão desnecessária do feminino" nos sujeitos plurais, explicou.

Na última sexta-feira, 23, o governo Milei já havia publicado uma resolução no site da presidência anunciando a mesma medida, mas restrita ao Ministério da Defesa e às Forças Armadas.

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Embora o uso de linguagem inclusiva fosse discricionário, muitas agências estatais a adotaram como regra padrão.

De acordo com a resolução 160/2024, o Ministério da Defesa, chefiado por Luis Petri - ex-candidato à vice-presidência pela coalizão Juntos pela Mudança na chapa de Patricia Bullrich - tornou obrigatório o uso do idioma castelhano, de acordo com as regras da Real Academia Espanhola (RAE) e os regulamentos e manuais em vigor nas Forças Armadas.

A medida se alinha com as críticas recorrentes de Milei ao que chama de "marxismo cultural" e "ideologia de gênero".

Em seu discurso no Fórum Econômico de Davos, em janeiro, o argentino afirmou que o feminismo e o socialismo eram ameaças ao Ocidente.

A ideia da linguagem inclusiva surgiu na década de 1970 a partir dos movimentos feministas como uma estratégia linguística e discursiva para visava expressar apoio aos direitos das mulheres e da comunidade LGBT+ em todo o mundo.

As instituições culturais dedicadas à regularização linguística discutiram seu uso em várias ocasiões; no caso dos falantes de espanhol, a RAE especificou em seu "Relatório sobre linguagem inclusiva e questões relacionadas", publicado em 2020, que o uso de simbologias é desnecessário.

Para a Academia, o sexismo e a misoginia não são propriedades da língua, mas usos dela, que não são inerentes ao sistema, mas valores que "adquirem uso devido à intencionalidade dos emissores ou a seus preconceitos ideológicos".

Estadão Conteúdo

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