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Suécia reduz uso de tecnologia nas escolas e aposta em livros físicos para melhorar aprendizagem

A decisão foi motivada por estudos que apontaram uma queda expressiva na capacidade de leitura entre os estudantes suecos.

Isabella Lopes

12 de julho de 2025 às 15:44   - Atualizado às 15:46

Menina estudando.

Menina estudando. Foto: Freepik.

Conhecida mundialmente por sua forte presença tecnológica, a Suécia decidiu rever sua política educacional e anunciou uma mudança significativa nas salas de aula: o país vai reduzir o uso de dispositivos digitais, como tablets e computadores, especialmente nos primeiros anos de ensino. Em vez disso, os alunos voltarão a ter livros impressos em todas as disciplinas. A medida busca fortalecer o desenvolvimento cognitivo e a compreensão leitora das crianças.

A decisão foi motivada por estudos que apontaram uma queda expressiva na capacidade de leitura entre os estudantes suecos, principalmente aqueles que estão em fase inicial de alfabetização. Especialistas também vêm alertando para os impactos negativos do uso excessivo de telas no desenvolvimento infantil, tanto em aspectos cognitivos quanto comportamentais.

Governo reconhece digitalização precipitada

A ministra da Educação da Suécia, Lotta Edholm, lidera a mudança de estratégia. Ela tem defendido publicamente que a digitalização no ensino foi introduzida de forma apressada, sem o apoio necessário de evidências científicas que comprovassem sua eficácia. “Queremos garantir que as crianças desenvolvam plenamente suas habilidades de leitura e escrita antes de dependerem da tecnologia para aprender”, afirmou Edholm em declarações à imprensa local.

O novo plano educacional prevê um investimento robusto na aquisição de livros físicos para todas as escolas, com foco especial nas séries iniciais. A meta do governo sueco é que cada aluno tenha acesso individual aos livros didáticos impressos, incentivando a leitura tradicional e o uso do papel para atividades de escrita. A decisão vale tanto para escolas públicas quanto privadas.

Tecnologia será usada com equilíbrio e critério

Apesar da mudança, o país não vai eliminar por completo o uso de recursos digitais na educação. A proposta é encontrar um ponto de equilíbrio, utilizando tecnologia de forma mais estratégica e apenas quando os estudantes já dominarem as competências fundamentais de leitura e interpretação. A intenção é evitar que os dispositivos se tornem um obstáculo à aprendizagem e à concentração.

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A nova abordagem reacende o debate sobre o papel da tecnologia no ambiente escolar. Durante anos, muitos países, inclusive a própria Suécia, investiram pesadamente na digitalização das escolas, com a promessa de modernizar o ensino e torná-lo mais atrativo para as novas gerações. No entanto, a recente decisão sueca lança luz sobre os desafios dessa transição e sugere que o ensino tradicional ainda tem papel importante na formação dos alunos.

Estudos internacionais reforçam a cautela adotada pelos suecos. Pesquisas mostram que crianças que aprendem a ler com livros físicos tendem a apresentar melhor compreensão de texto, memorização e concentração do que aquelas expostas a telas desde muito cedo. Além disso, o contato constante com aparelhos eletrônicos pode comprometer a saúde visual, o sono e o comportamento das crianças.

 

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