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Nordeste concentra 4,8 milhões de analfabetos e lidera índice no Brasil, segundo ibge

O levantamento aponta que o Brasil possui 8,4 milhões de pessoas nessa condição. O número corresponde a uma taxa nacional de analfabetismo de 4,9% entre a população com 15 anos ou mais.

Isabella Lopes

19 de junho de 2026 às 17:28   - Atualizado às 17:36

Analfabetismo no Nordeste.

Analfabetismo no Nordeste. Foto: Reprodução.

A região Nordeste concentra atualmente mais da metade da população analfabeta do Brasil. Os dados constam na Pnad Contínua Educação 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e mostram que 4,8 milhões de nordestinos com 15 anos ou mais não sabem ler nem escrever um bilhete simples.

O levantamento aponta que o país possui 8,4 milhões de pessoas nessa condição. O número corresponde a uma taxa nacional de analfabetismo de 4,9% entre a população com 15 anos ou mais.

Além de concentrar o maior número de analfabetos, o Nordeste também apresentou a maior taxa entre as regiões brasileiras. Segundo o IBGE, o índice ficou em 10,6% em 2025, resultado inferior ao registrado em 2024, quando a taxa chegou a 11,1%.

Na comparação regional, o Nordeste aparece à frente do Norte, que registrou taxa de 5,7%. Em seguida aparecem o Centro-Oeste, com 3,3%, o Sul, com 2,4%, e o Sudeste, com 2,3%. Os números reforçam as diferenças educacionais existentes entre as regiões do país e evidenciam desafios históricos relacionados ao acesso à educação.

Especialista aponta fatores históricos e econômicos

Para a gerente de estratégias do Instituto Ayrton Senna, Beatriz Alqueres, o cenário atual tem relação com processos históricos que influenciaram o desenvolvimento das diferentes regiões brasileiras ao longo do tempo.

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Segundo a especialista, as regiões Sul e Sudeste passaram por um processo de urbanização mais precoce, receberam maior concentração de investimentos públicos e registraram crescimento econômico mais acelerado. Esses fatores contribuíram para a expansão mais rápida das redes de ensino.

"O levantamento está associado a um processo de urbanização mais precoce no Sudeste e no Sul, à maior concentração de investimentos públicos, ao desenvolvimento econômico mais acelerado dessas regiões e à expansão mais rápida das redes escolares. Já grande parte do Norte e do Nordeste enfrentava níveis mais elevados de pobreza, população dispersa em áreas rurais, longas distâncias para acesso aos serviços públicos e uma expansão educacional mais tardia", analisa a gerente de estratégias do Instituto Ayrton Senna, Beatriz Alqueres.

Por outro lado, parte significativa do Norte e do Nordeste enfrentou condições mais desafiadoras, como maiores índices de pobreza, população distribuída em áreas rurais e maiores distâncias para acesso aos serviços públicos, incluindo a educação.

Na pesquisa, o IBGE considera analfabetas as pessoas com 15 anos ou mais que não conseguem ler e escrever um bilhete simples. A Pnad Contínua Educação reúne informações sobre escolaridade, frequência escolar e outros indicadores relacionados ao ensino no Brasil, permitindo acompanhar a evolução dos níveis educacionais e identificar diferenças entre regiões e grupos da população.

 

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