Teólogo criticou celebrações juninas e afirmou que evangélicos devem evitar práticas que, segundo ele, têm origem ligada à veneração de santos.
19 de junho de 2026 às 15:27 - Atualizado às 15:36
Fotos: Reprodução e Freepik
As festas juninas voltaram ao centro de um debate religioso após declarações do pastor e teólogo Caio Modesto, que criticou a participação de evangélicos nas celebrações tradicionais realizadas durante o mês de junho. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele associou os festejos ao paganismo e defendeu que fiéis rejeitem inclusive alimentos típicos quando relacionados a eventos juninos.
A manifestação ocorreu em meio ao crescimento de celebrações promovidas por igrejas evangélicas em diferentes regiões do país. Conhecidos por nomes como "Sem João com Jesus" ou "Festa da Colheita", esses eventos costumam adaptar elementos culturais das festas juninas, substituindo referências aos santos católicos por atividades voltadas ao público evangélico.
Para Caio Modesto, no entanto, a mudança de nomenclatura não altera a origem da celebração. Segundo ele, as festividades continuam ligadas a práticas religiosas que não fazem parte da tradição evangélica.
Durante a gravação, o teólogo afirmou que as festas juninas mantêm relação com a veneração de figuras como Santo Antônio, São João e São Pedro. Na avaliação dele, a tradição teria incorporado elementos de origem pagã ao longo dos séculos.
"O catolicismo é especialista em cristianizar tudo que vem do paganismo. O calendário e os costumes da celebração giram em torno do culto a homens e não da adoração devida unicamente a Deus", declarou.
A fala repercutiu nas redes sociais e gerou discussões entre internautas e líderes religiosos. Enquanto alguns concordaram com o posicionamento do pastor, outros defenderam que as festas juninas possuem atualmente forte caráter cultural e comunitário, ultrapassando o aspecto religioso.
Outro trecho que chamou atenção foi a orientação relacionada à culinária típica do período. Modesto citou ensinamentos bíblicos presentes na Primeira Carta aos Coríntios para justificar o entendimento de que alimentos associados às festividades devem ser evitados pelos cristãos.
Segundo ele, caso um fiel seja informado de que determinado alimento faz parte de uma festa junina, a recomendação é não consumi-lo.
"Se lhe servirem comida típica e disserem que veio de uma festa junina, aplique o mesmo critério. Recuse. Você não vai morrer de fome por não participar", afirmou.
A declaração ampliou a repercussão do debate, especialmente por envolver elementos tradicionalmente presentes nas celebrações, como pratos à base de milho, bolos, canjica e outras comidas típicas.
A discussão sobre a participação de evangélicos em festas juninas não é nova, mas volta a ganhar força todos os anos durante o período dos festejos. Entre as lideranças religiosas, há diferentes interpretações sobre o tema.
Parte dos pastores entende que elementos culturais podem ser utilizados como forma de integração e aproximação com a comunidade, desde que não envolvam práticas de adoração consideradas incompatíveis com a fé evangélica.
Já grupos mais conservadores defendem que os cristãos devem evitar qualquer participação em eventos que possuam ligação histórica com celebrações religiosas voltadas a santos ou outras tradições que não façam parte de sua doutrina.
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