O pedido foi apresentado à Justiça com base em entendimento recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que passou a reconhecer a possibilidade de requererem a falência.
02 de julho de 2026 às 10:31 - Atualizado às 10:37
O "Dollynho, seu amiguinho". Foto: Reprodução/YouTube
O "Dollynho, seu amiguinho", corre risco de sair de cena? Com quatro décadas de história no mercado brasileiro, o Grupo Dolly passou a enfrentar um pedido de falência apresentado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e pela Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP), que apontam uma dívida de R$ 15,7 bilhões com a União, o FGTS e o Estado de São Paulo.
A marca de refrigerante conhecida como o "sabor brasileiro" tem uma dívida com um total de cerca de R$ 8,3 bilhões correspondem a débitos inscritos na dívida ativa da União, R$ 7,4 bilhões referem-se à dívida ativa do Estado de São Paulo e aproximadamente R$ 15 milhões são relacionados ao FGTS, segundo as apurações das procuradorias.
O pedido foi apresentado à Justiça com base em entendimento recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que passou a reconhecer a possibilidade de as fazendas públicas requererem a falência de empresas devedoras em situações consideradas complexas e de longa duração.
Até a última atualização das informações divulgadas pelos órgãos, o Grupo Dolly não havia se manifestado sobre o pedido de falência.
Na manifestação encaminhada à Justiça, a PGFN e a PGE-SP afirmam que os débitos do Grupo Dolly se arrastam há mais de 25 anos. Segundo os órgãos, o elevado passivo não seria resultado apenas de dificuldades financeiras, mas também de uma suposta estratégia de blindagem patrimonial para dificultar a recuperação dos valores devidos.
As procuradorias também sustentam que a empresa permaneceu em recuperação judicial por quase oito anos sem regularizar os débitos tributários. Na avaliação dos órgãos, o processo teria sido utilizado para suspender medidas de cobrança e criar novas estruturas de proteção patrimonial e planejamento tributário.
Ainda segundo a manifestação, após a aprovação do plano de recuperação judicial e da exigência legal de comprovação da regularidade fiscal, o grupo desistiu da recuperação judicial e tentou converter o processo em recuperação extrajudicial.
Para a PGFN e a PGE-SP, essa mudança teria como objetivo contornar a exigência de comprovação da regularidade tributária prevista na legislação.
Os órgãos também argumentam que a empresa teria obtido vantagem competitiva ao deixar de recolher tributos e encargos sociais, o que, segundo as procuradorias, prejudicaria empresas concorrentes do setor de bebidas que mantêm suas obrigações fiscais em dia.
Conforme informado pelas procuradorias, o pedido de falência busca permitir que a atividade empresarial continue sob uma nova administração, preservando empregos e garantindo o funcionamento da empresa dentro das regras do mercado.
O Grupo Dolly entrou com pedido de recuperação judicial em 2018. Na ocasião, a empresa informou que a medida era necessária para evitar a falência após o bloqueio de bens determinado pela Justiça, o que, segundo a companhia, comprometeu sua capacidade de cumprir obrigações financeiras.
Naquele mesmo ano, o Ministério Público apresentou acusações envolvendo supostas fraudes fiscais, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Pouco antes do pedido de recuperação judicial, o proprietário da empresa, Laerte Codonho, chegou a ser preso por oito dias durante uma investigação relacionada a suspeitas de fraude fiscal.
Segundo o Ministério Público, a empresa teria demitido funcionários e promovido novas contratações por meio de outra companhia com o objetivo de fraudar contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os promotores também apontaram a existência de créditos relacionados ao não pagamento de ICMS que, à época, ultrapassavam R$ 1,4 bilhão.
Considerando ainda débitos federais ligados a suposta sonegação de contribuições previdenciárias, as investigações estimavam que os valores envolvidos poderiam chegar a R$ 4 bilhões.
Na ocasião, o Grupo Dolly negou as acusações de sonegação fiscal e afirmou ter sido vítima da atuação de um escritório de contabilidade que teria omitido informações fiscais. O caso segue tramitando na Justiça, e o novo pedido de falência será analisado pelo Judiciário.
Além da solicitação de falência, a PGFN e a PGE-SP informaram que encaminharam pedido ao Ministério Público para apurar possíveis irregularidades relacionadas à atuação do grupo empresarial.
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