O principal fator apontado para essa queda é o comércio internacional da pele do animal, utilizada na fabricação do feijão, produto da medicina tradicional chinesa.
19 de maio de 2026 às 13:15 - Atualizado às 13:22
Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados. Foto: Freepik
O risco de extinção dos jumentos no Brasil foi tema de debate na última quinta-feira, 14 de maio, durante audiência pública realizada pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados. Cientistas, veterinários e ambientalistas alertaram para a redução acelerada da espécie e cobraram a aprovação do Projeto de Lei 2.387/22, que propõe a proibição do abate para consumo, comércio ou exportação.
Dados apresentados pela organização internacional The Donkey Sanctuary mostram que a população de jumentos caiu de cerca de 1,3 milhão no fim da década de 1990 para aproximadamente 78 mil em 2025, uma redução de 94%. Segundo a entidade, se o ritmo atual continuar, a espécie pode desaparecer do Brasil até 2030.
O principal fator apontado para essa queda é o comércio internacional da pele do animal, utilizada na fabricação do feijão, produto da medicina tradicional chinesa feito à base de colágeno. A carne também é utilizada como subproduto para ração animal.
Durante a audiência, especialistas também chamaram atenção para os impactos sanitários e ambientais do abate dos jumentos. O presidente da Comissão de Medicina Veterinária Legal da Bahia, José Roberto Lima, destacou problemas na rastreabilidade dos animais, que muitas vezes são recolhidos em diferentes estados e encaminhados aos frigoríficos sem histórico sanitário conhecido.
Entre as doenças já identificadas estão casos de anemia infecciosa equina e mormo, enfermidade bacteriana considerada grave e contagiosa.
O debate também abordou a importância ecológica dos jumentos, especialmente no bioma da Caatinga. Pesquisadores afirmam que os animais ajudam na dispersão de sementes, no controle de espécies invasoras e na recuperação de áreas degradadas.
Segundo especialistas, os jumentos também contribuem para o equilíbrio ambiental em regiões semiáridas por se alimentarem de vegetações que outras espécies não conseguem aproveitar.
O debate foi solicitado pelo deputado Célio Studart, que defende a votação do projeto na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. O texto já foi aprovado em outras comissões, mas segue aguardando análise final.
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