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Brasil perdeu 94% da população de jumentos nos últimos 30 anos, aponta estudo

A situação se dá por conta da indústria chinesa de ejiao, um suplemento feito com colágeno retirado da pele dos animais, que tem alta demanda.

Ricardo Lélis

25 de junho de 2025 às 16:24   - Atualizado às 16:24

Jumentos

Jumentos Foto: Luís André Pinto/Ascom Expointer

Nos últimos 30 anos, o Brasil perdeu 94% da população de jumentos, de acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Segundo o estudo, 248 mil animais foram abatidos entre 2018 e 2024 — a maioria na Bahia, onde estão os três frigoríficos autorizados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) para esse tipo de abate.

A principal demanda vem da indústria chinesa de ejiao, um suplemento feito com colágeno retirado da pele dos jumentos.

O rebanho, que era de 1,37 milhão de animais em 1999, caiu para cerca de 78 mil em 2025, segundo levantamento da FAO, IBGE e Agrostat. Ou seja, hoje restam apenas 6 jumentos para cada 100 existentes há três décadas, colocando a espécie em risco de extinção no país.

Para discutir soluções, ocorre de 26 a 28 de junho, em Maceió (AL), o 3º Workshop Internacional – Jumentos do Brasil: Futuro Sustentável, promovido pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) com apoio da ONG britânica The Donkey Sanctuary.

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O evento marca o lançamento da campanha global Stop The Slaughter e do relatório internacional Stolen Donkeys, Stolen Futures.

Duas propostas legislativas estão em andamento para tentar proibir o abate no Brasil: o PL nº 2.387/2022, que já avançou na Câmara dos Deputados, e o PL nº 24.465/2022, em tramitação na Assembleia Legislativa da Bahia.

“O jumento nordestino possui um perfil genético único, adaptado ao semiárido. Sua extinção seria uma perda irreparável para nossa biodiversidade e para as comunidades rurais que dependem dele”, alerta Patrícia Tatemoto, da The Donkey Sanctuary.

A especialista defende alternativas sustentáveis, como a valorização dos jumentos como animais de companhia ou seu uso na agricultura familiar.

Já o agrônomo e economista Roberto Arruda ressalta que existem tecnologias como a fermentação de precisão, capazes de produzir colágeno sem o uso de animais.

A pressão contra o abate também é global. Em 2023, a União Africana aprovou uma moratória sobre a exportação de jumentos, seguindo países como Quênia, Nigéria e Tanzânia.

“O Brasil precisa se alinhar às boas práticas do Sul Global”, defende Pierre Barnabé Escodro, professor da UFAL.

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