Durante a apuração, foram identificadas movimentações financeiras que envolvem centenas de milhões de reais, além de tentativas de ocultação dos supostos desvios.
10 de setembro de 2026 às 12:28 - Atualizado às 12:30
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). Fotos: Victor Piemonte/STF/Arquivo e vReprodução e Câmara dos Deputados
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira, 10 de setembro, a aplicação de medidas cautelares contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP). O parlamentar está proibido de deixar o país e de manter contato com os demais investigados no inquérito que apura suspeitas de desvios de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.
As determinações fazem parte da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, além do Distrito Federal.
As restrições impostas pelo ministro também atingem todos os 29 alvos da operação realizada nesta quinta-feira. Entre as medidas cautelares está a proibição de manter contato entre os investigados e de sair do Brasil.
Além de Mario Frias, a produtora Karina Gama aparece entre os principais alvos da investigação. Duas entidades de propriedade dela — o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC) — também foram alvo de buscas durante a ação.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam para a atuação de uma suposta organização criminosa formada por agentes públicos e privados. O grupo teria direcionado recursos públicos repassados a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas de forma irregular.
Ainda segundo os investigadores, não haveria comprovação de que os serviços contratados com os recursos públicos foram efetivamente prestados.
Durante a apuração, foram identificadas movimentações financeiras que envolvem centenas de milhões de reais, além de tentativas de ocultação dos supostos desvios. Conforme as investigações, essas movimentações teriam continuado até julho deste ano.
Os envolvidos são investigados por suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
A operação busca aprofundar as investigações sobre o caminho percorrido pelos recursos públicos e a possível utilização de entidades e empresas na movimentação dos valores sob suspeita.
Uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União, por determinação de Flávio Dino, identificou indícios de irregularidades no direcionamento de R$ 2 milhões em emendas parlamentares indicadas por Mario Frias.
Os recursos teriam sido destinados a entidades ligadas à produtora Karina Gama, que também é alvo da Operação Make Up.
A investigação ocorre no contexto da fiscalização sobre a aplicação de recursos provenientes de emendas parlamentares. O caso está sob análise das autoridades responsáveis, enquanto a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União seguem com os trabalhos para esclarecer as suspeitas envolvendo o repasse e a utilização dos valores.
Mario Frias também figura como roteirista e produtor-executivo do longa-metragem "Dark Horse", filme ainda não lançado que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A produção tem o ator norte-americano Jim Caviezel no papel principal.
Com as medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal, Mario Frias e os demais investigados deverão cumprir as restrições estabelecidas no âmbito da investigação. As apurações continuam para identificar o possível envolvimento dos alvos e esclarecer as suspeitas relacionadas ao direcionamento e à utilização dos recursos públicos.
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