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Fachin cancela novamente sessão do STF em meio à crise envolvendo ministros da Corte e a Polícia Federal

Na quarta-feira (9), Fachin já havia determinado o cancelamento da sessão prevista para as 14h, interrompendo a agenda do Plenário em um momento de forte tensão entre ministros

Romildo Lacerda

10 de setembro de 2026 às 14:35   - Atualizado às 14:35

Edson Fachin comunica fim de sessão no STF

Edson Fachin comunica fim de sessão no STF Foto: Bruno Moura/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu cancelar pela segunda vez consecutiva uma sessão do Plenário da Corte.

O colegiado voltaria a se reunir na tarde desta quinta-feira, 10 de setembro, porém a Presidência do STF informou que a sessão não será realizada.

 A suspensão ocorre em meio ao impasse institucional envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal e a cúpula da Polícia Federal (PF).

Na quarta-feira (9), Fachin já havia determinado o cancelamento da sessão prevista para as 14h, interrompendo a agenda do Plenário em um momento de forte tensão entre ministros.

Justificativa para o novo cancelamento

Diferentemente do primeiro adiamento, desta vez a Presidência apresentou uma explicação oficial para a mudança.

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Conforme comunicado divulgado pelo STF, a sessão marcada para esta quinta-feira (10) tinha caráter extraordinário e foi cancelada porque outra reunião extraordinária já havia sido convocada para a próxima terça-feira (15).

Segundo Fachin, a sessão da próxima semana está mantida.

O encontro foi marcado para as 10h e deverá concentrar as discussões sobre os relatórios produzidos pela Polícia Federal contendo informações relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Crise teve início após decisões conflitantes

O primeiro cancelamento ocorreu poucas horas depois de o ministro Flávio Dino determinar o retorno aos cargos do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada. Ambos haviam sido afastados no dia anterior por decisão do ministro André Mendonça.

Ao cancelar a sessão de quarta-feira, Fachin evitou que os ministros debatessem publicamente a crise durante a reunião do Plenário.

Na ocasião, a Corte não apresentou uma justificativa oficial para o adiamento. Entre os processos que seriam analisados naquela tarde estava um julgamento relacionado justamente aos poderes de investigação da Polícia Federal.

Posteriormente, o presidente do STF adotou novas medidas para conter o conflito. Fachin suspendeu tanto a decisão de André Mendonça, que havia determinado o afastamento dos dirigentes da PF, quanto a decisão de Flávio Dino, responsável por restabelecê-los aos cargos.

Na avaliação do presidente da Corte, a sequência de decisões tomadas em processos distintos, mas envolvendo os mesmos fatos e autoridades, poderia gerar determinações incompatíveis e criar uma sobreposição processual.

Além disso, Fachin estabeleceu que qualquer procedimento relacionado à eventual investigação de integrantes do Supremo Tribunal Federal deverá ser previamente submetido à Presidência da Corte.

O ministro também suspendeu a tramitação da Petição 16.662, que está sob relatoria de André Mendonça, até que o tema seja apreciado pelo Plenário.

Julgamento na próxima terça-feira (15)

A sessão extraordinária marcada para terça-feira será a primeira oportunidade para que todos os ministros do STF analisem conjuntamente os desdobramentos da crise.

Durante o julgamento, o Plenário deverá avaliar a legalidade da decisão de André Mendonça que determinou o aprofundamento da análise dos dados relacionados a Daniel Vorcaro.

Os ministros também discutirão a validade dos relatórios produzidos pela Polícia Federal e o pedido apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o procedimento seja anulado.

Outro ponto previsto para análise será o destino das informações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Caberá ao colegiado decidir se esses elementos podem fundamentar a abertura de uma investigação contra o magistrado ou se deverão ser considerados inválidos e descartados.

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