Os investigadores suspeitam que recursos recebidos tenham sido direcionados de forma irregular para empresas subcontratadas, sem a comprovação da execução dos serviços contratados.
10 de setembro de 2026 às 09:24 - Atualizado às 09:42
Mário Frias, ex-secretário no governo Bolsonaro e Karina Gama, dona da produtora responsável pela realização do filme "Dark Horse". Foto: Reprodução/Redes Sociais
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira, 10 de setembro, a Operação Make Up para investigar suspeitas de irregularidades no uso de recursos públicos relacionados ao financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ao todo, estão sendo cumpridos 49 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, além do Distrito Federal. A operação conta com a parceria da Controladoria-Geral da União (CGU) e foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os alvos está o deputado federal e ex-secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro, Mário Frias (PL-SP). A dona da produtora responsável pela realização do filme, Karina Gama, também é alvo da ação.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares destinadas a uma organização da sociedade civil. Os investigadores suspeitam que recursos recebidos tenham sido direcionados de forma irregular para empresas subcontratadas, sem a comprovação da execução dos serviços contratados.
O financiamento de "Dark Horse" é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Um dos procedimentos está sob relatoria do ministro André Mendonça, enquanto outro, relacionado ao possível direcionamento de emendas parlamentares, é conduzido pelo ministro Flávio Dino.
Em março deste ano, Dino determinou que Mário Frias prestasse esclarecimentos sobre uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada ao Instituto Conhecer Brasil, organização ligada à produtora do filme.
Na ocasião, o ministro solicitou informações sobre possíveis irregularidades na aplicação dos recursos. Frias, que também atua na produção do longa, negou irregularidades e afirmou que os valores tiveram finalidade social.
As investigações apontam para a possível atuação de uma organização formada por agentes públicos e privados. Segundo a PF, levantamentos financeiros identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao esquema investigado.
A operação apura possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em processos licitatórios.
Em junho, a Polícia Civil de São Paulo também realizou uma operação contra a Go Up Entertainment, produtora responsável por "Dark Horse", diante de suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos. Posteriormente, por determinação do ministro Flávio Dino, os dados obtidos durante a ação foram compartilhados com o STF.
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