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Dark Horse: Mendonça homologa delação de empresário responsável por repasses ao filme

Antônio Carlos Freixo Júnior, o "Mineiro", afirmou ter entregue dinheiro vivo a destinatários de Daniel Vorcaro e disse ter vídeos.

Ricardo Lélis

09 de setembro de 2026 às 20:47   - Atualizado às 20:47

Ministro André Mendonça, do STF e empresário Antônio Carlos Freixo Júnior.

Ministro André Mendonça, do STF e empresário Antônio Carlos Freixo Júnior. (Fotos: Gustavo Moreno/STF e Reprodução/ Redes Sociais)

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira, 9 de setembro, o acordo de colaboração premiada firmado pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.

A decisão ocorreu após o empresário confirmar, em audiência realizada no gabinete do ministro, que aderiu à delação de maneira espontânea.

O acordo havia sido negociado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que encaminhou o caso ao STF para que Mendonça analisasse a homologação. A audiência ocorreu na terça-feira (8), um dia antes da decisão.

Mineiro é proprietário da Entre Investimentos, empresa que, segundo as informações apresentadas na delação, foi utilizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro para repassar recursos destinados ao filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No acordo de colaboração, o empresário relatou aos investigadores que era responsável por entregar dinheiro em espécie a destinatários indicados por Vorcaro. Segundo o conteúdo revelado pela coluna, Mineiro afirmou ainda possuir vídeos que registrariam algumas dessas entregas.

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A delação também teria mencionado um ex-ministro do governo Jair Bolsonaro como um dos supostos receptores de malas de dinheiro. De acordo com as informações apresentadas, o empresário teria declarado aos investigadores que possui vídeos relacionados às entregas.

Delação cita recursos para filme sobre Bolsonaro

Na proposta de colaboração, Antônio Carlos Freixo Júnior admitiu ter sido responsável pelo repasse do dinheiro que Daniel Vorcaro teria destinado ao filme Dark Horse. O patrocínio da produção, conforme o relato, foi negociado pelo banqueiro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A participação de Mineiro, segundo o relato apresentado na delação, estaria relacionada à execução dos repasses. Aos investigadores, porém, o empresário afirmou que não conhecia o destino efetivo dos recursos que movimentava para Vorcaro.

Entre os valores mencionados estaria justamente o dinheiro destinado ao filme sobre Bolsonaro.

O empresário também relatou que os recursos foram enviados a um fundo nos Estados Unidos administrado pelo advogado brasileiro Paulo Calixto. Ele é apontado no relato como aliado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive no Texas.

A homologação do acordo por André Mendonça formaliza a colaboração premiada e ocorre depois da confirmação, pelo próprio empresário, de que a decisão de colaborar com as investigações foi tomada voluntariamente.

O conteúdo da delação inclui relatos sobre movimentações financeiras e supostas entregas de dinheiro feitas em nome de Daniel Vorcaro, além de informações relacionadas aos recursos destinados ao filme Dark Horse. Entre os pontos apresentados aos investigadores está a afirmação de Mineiro sobre a existência de registros em vídeo das entregas.

A homologação, portanto, incorpora formalmente o acordo ao processo sob análise do Supremo, enquanto as informações apresentadas pelo empresário passam a integrar os elementos da colaboração encaminhada pela PGR ao ministro André Mendonça.

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