Lula e sua ex-nora Carla Ariane Trindade. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil e Arquivo pessoal
O Ministério Público Federal (MPF) deu um novo passo na investigação da chamada Operação Coffee Break, apresentando denúncia contra nove pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro relacionado a verbas da Educação em cidades do interior paulista. Além disso, o MPF solicitou a abertura de um inquérito específico para apurar a participação da ex-nora de Lula, Carla Ariane Trindade, e de Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Carla Ariane, que foi casada com Marcos Cláudio Lula da Silva, outro filho do presidente Lula (PT), terá sua eventual participação investigada em Brasília, segundo o MPF. A denúncia menciona que ela teria feito seis viagens à capital federal com despesas pagas pelo empresário André Mariano, dono da empresa Life, com o objetivo de captar recursos para municípios envolvidos no esquema.
O MPF acusa André Mariano e o doleiro Abdalla Ahmad Fares de liderarem uma rede de superfaturamento na contratação de livros por prefeituras paulistas. A operação envolvia ainda Eduardo Maculan, Claudia Terumi Okumura Rodrigues, Gilberto Barreiro, Paulo Rogério da Silva, João Raphael de Oliveira Kinack, Marcilio dos Santos Yamasita e Paulo de Matos Júnior, todos apontados como operadores financeiros do esquema ou intermediários no repasse de valores, inclusive em criptomoedas.
Além de Carla Ariane, Kalil Bittar também foi mencionado pela investigação. Segundo o MPF, ele teria recebido R$ 210 mil em “mesada” de Mariano, com intermediação da ex-esposa Erika Lemos dos Santos. A defesa de Kalil, contudo, afirma que os valores se referem a serviços prestados, negando qualquer pagamento como mesada.
A defesa de André Mariano também se manifestou, negando qualquer irregularidade e afirmando que ele não integra nem lidera organização criminosa. “Todos os esclarecimentos detalhados serão apresentados exclusivamente nos autos, em estrita observância às normas legais voltadas à tutela da intimidade dos envolvidos e à preservação do sigilo processual”, disseram os advogados.
Com a solicitação de abertura de 24 novas investigações, a Operação Coffee Break segue se expandindo, envolvendo políticos locais e empresários do setor educacional, além de levantar suspeitas sobre viagens e repasses financeiros ligados à ex-nora de Lula. O andamento do caso será acompanhado de perto pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, que analisará a denúncia apresentada pelo MPF.
A presença da ex-nora de Lula no epicentro das investigações reforça o debate sobre a atuação de familiares de autoridades em negócios privados e públicos, um tema sensível que vem chamando atenção da sociedade e da imprensa.
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