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Lula afirma que não protegerá seu filho em investigação: "Vai provar que é inocente, como eu provei"

A declaração ocorreu depois que o ministro André Mendonça autorizou o inquérito sobre suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Lulinha.

Redação

31 de julho de 2026 às 09:06   - Atualizado às 09:07

Presidente Lula.

Presidente Lula. Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira, 30 de julho, que não utilizará a Presidência da República para beneficiar o filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, após a autorização para abertura de um inquérito da Polícia Federal (PF).

A declaração ocorreu durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a investigação sobre suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo negócios relacionados à área de cannabis medicinal.

Durante a entrevista, Lula declarou que o filho receberá o mesmo tratamento dispensado a qualquer cidadão investigado pela Justiça. Segundo o presidente, ele não pretende interferir na atuação de delegados, investigadores ou magistrados e garantiu que não fará uso do cargo para favorecer o empresário.

O presidente afirmou que, caso o filho responda ao processo, deverá enfrentar a investigação normalmente e comparecer às autoridades competentes. Lula também declarou que acredita na inocência de Lulinha, mas ressaltou que, se houver condenação ao fim do processo, ele deverá responder pelos atos praticados, como qualquer outra pessoa.

"Ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para o delegado ou juiz não fazer a coisa correta. Se ele estiver certo, ele vai ter minha ajuda. Se estiver errado... ele sabe o que eu passei. Ele jura para mim todo dia [que não fez coisa errado]. Ele está na Espanha. Se ele for julgado, ele vai vir para cá [para o Brasil]. Ele vai ter que provar que é inocente, assim como eu provei", destacou Lula.

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A manifestação do presidente ocorreu poucos dias depois de o ministro André Mendonça autorizar a abertura do inquérito solicitado pela Polícia Federal. O magistrado foi escolhido por sorteio para relatar o caso no Supremo Tribunal Federal.

Sobre a investigação

Segundo a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer se Lulinha praticou os crimes de tráfico de influência e corrupção ao supostamente atuar para favorecer o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde.

Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", aparece nas investigações da Operação Sem Desconto como um dos investigados por supostos desvios envolvendo aposentadorias e pensões. Agora, a Polícia Federal também apura uma possível atuação dele em negociações ligadas ao mercado de cannabis medicinal.

De acordo com as informações apresentadas pela PF, a suspeita envolve tentativas de viabilizar contratos para fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde durante os anos de 2024 e 2025. Conforme os investigadores, o contrato pretendido não chegou a ser firmado.

A investigação também apura se Lulinha teria participado de articulações para facilitar o acesso do empresário ao Ministério da Saúde.

As apurações indicam que Antônio Carlos Camilo Antunes contratou a empresária Roberta Luchsinger para prospectar oportunidades de negócios envolvendo a empresa World Cannabis junto ao governo federal. Conforme a investigação, Roberta mantém amizade com Lulinha.

A Polícia Federal busca esclarecer se houve influência para que representantes da empresa fossem recebidos por integrantes do Ministério da Saúde.

Segundo os investigadores, no início de 2025, Antônio Carlos Camilo Antunes participou de uma reunião no Ministério da Saúde com Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger. Na época, Berger ocupava o cargo de secretário-executivo da pasta, função considerada a segunda mais importante do ministério.

Posteriormente, Swedenberger Barbosa deixou o Ministério da Saúde e assumiu a chefia do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal da Presidência da República.

A Polícia Federal investiga se houve eventual prática de tráfico de influência tanto no Ministério da Saúde quanto em estruturas ligadas ao gabinete presidencial.

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