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Mendonça autoriza PF a investigar suposto tráfico de influência de Lulinha no Ministério da Saúde

Ministro do STF determinou a abertura de inquérito para apurar suspeitas envolvendo o filho do presidente Lula e o lobista conhecido como "Careca do INSS".

Portal de Prefeitura

30 de julho de 2026 às 18:25   - Atualizado às 18:32

Presidente Lula e Lulinha

Presidente Lula e Lulinha Foto Arte/Portal de Prefeitura

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a abertura de um inquérito para investigar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Fabio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O pedido de investigação foi encaminhado pela Polícia Federal (PF) na semana passada e busca apurar se Lulinha teria atuado para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", em negociações com o Ministério da Saúde.

Investigação envolve negócios com cannabis medicinal

Segundo a Polícia Federal, há suspeitas de que Lulinha e o empresário tenham mantido relações comerciais no setor de cannabis medicinal.

As investigações apontam que Antônio Carlos Camilo Antunes tentou fechar contratos milionários com o Ministério da Saúde, entre 2024 e 2025, para fornecer medicamentos à base de canabidiol ao governo federal.

Os contratos, entretanto, não chegaram a ser concretizados.

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De acordo com a PF, a suspeita é de que Lulinha tenha atuado para facilitar reuniões entre representantes do lobista e integrantes da pasta.

Ligação com o "Careca do INSS"

Antônio Carlos Camilo Antunes é apontado pelas autoridades como um dos principais investigados na Operação Sem Desconto, que apura supostos desvios de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O empresário havia contratado a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para prospectar oportunidades de negócios na área de cannabis medicinal em favor da empresa World Cannabis, ligada ao lobista.

A defesa de Roberta nega qualquer irregularidade e afirma que não houve repasse de recursos ao filho do presidente.

Defesa de Lulinha critica investigação

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela defesa de Lulinha, afirmou que a Polícia Federal não encontrou indícios de irregularidades envolvendo o filho do presidente no âmbito das investigações sobre o INSS.

Segundo ele, a abertura de uma nova frente de apuração representa uma tentativa de encontrar provas sem elementos concretos.

"Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não possui ligação com os negócios de Roberta. A Polícia Federal não encontrou nada na investigação sobre o INSS e agora busca informações em outro setor. Isso é pesca probatória", declarou o advogado.

Reunião no Ministério da Saúde

No início de 2025, Antônio Carlos Camilo Antunes participou de uma reunião no Ministério da Saúde com Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, que ocupava o cargo de secretário-executivo da pasta, segundo posto mais importante do ministério.

Posteriormente, Berger deixou o Ministério da Saúde e assumiu a chefia do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal da Presidência da República.

Em nota enviada ao g1, Berger afirmou que a reunião ocorreu dentro das atribuições do cargo e negou qualquer interferência política.

"A agenda ocorreu em conformidade com as atribuições da função exercida à época, sem qualquer tipo de orientação para sua realização. Como não houve interesse do ministério em adquirir produtos ou serviços da empresa, o encontro não teve qualquer desdobramento", declarou.

STF acompanhará o caso

André Mendonça foi sorteado como relator do caso no Supremo Tribunal Federal e ficará responsável por conduzir os pedidos relacionados ao inquérito.

A investigação da Polícia Federal deverá reunir documentos, depoimentos e informações para verificar se houve tráfico de influência ou corrupção nas tratativas envolvendo o Ministério da Saúde.

Até o momento, não há denúncia formal apresentada contra Lulinha. O caso segue em fase de investigação.

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