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Governo Lula articulou com ONG ligada ao PCC para presidente entrar em favela de São Paulo, diz site

A presidente da ONG é irmã do antigo "dono" do tráfico na favela, o traficante Leonardo Monteiro Moja, o "Léo do Moinho", que está preso.

Jameson Ramos

08 de julho de 2025 às 13:40   - Atualizado em 09 de julho de 2025 às 10:03

Presidente Lula e sua comitiva na Favela do Moinho.

Presidente Lula e sua comitiva na Favela do Moinho. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Uma agenda do presidente Lula (PT) e da primeira-dama Janja da Silva no centro de São Paulo, no fim do mês passado, foi viabilizada após reuniões do governo com a Associação da Comunidade do Moinho, segundo informações da coluna de Andreza Matais, do Metrópoles.

Documentos obtidos pela coluna mostram que a sede da entidade foi usada para guardar drogas para o PCC. A presidente da ONG é irmã do antigo “dono” do tráfico na favela, o traficante Leonardo Monteiro Moja, o “Léo do Moinho”.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, a favela é controlada pelo grupo criminoso e o acesso costuma ser restrito a não moradores.

Ainda de acordo com o Metrópoles, o ministro Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência) esteve na entidade dois dias antes da visita do presidente e da primeira-dama, para negociar a agenda oficial de Lula na favela.

No final do mês passado, o presidente Lula anunciou um acordo de realocação das cerca de 900 famílias que vivem na área. O terreno, que pertencente à União, deve ser transformado em um parque.

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Procurado, o ministro afirmou que sua reunião com a associação teve como única pauta a apresentação da solução habitacional para as famílias da favela do Moinho. E que “o diálogo com lideranças comunitárias é parte fundamental da atuação de qualquer governo comprometido com políticas de inclusão social, habitação e valorização da cidadania”.

A Associação da Comunidade do Moinho é presidida por Alessandra Moja Cunha, irmã de Leonardo Monteiro Moja, o Léo do Moinho, apontado como líder do tráfico local, preso em agosto de 2024. Alessandra já foi condenada por homicídio e cumpriu parte da pena em regime fechado.

A condenação de Alessandra por homicídio refere-se à morte de uma mulher a facadas, em 2005. Na ocasião, ela e a irmã também tentaram matar um homem, que sobreviveu.

De acordo com a Receita Federal, a associação está registrada no número 20 da Rua Doutor Elias Chaves — o mesmo endereço onde, em agosto de 2023, a Polícia Civil apreendeu drogas supostamente destinadas ao centro da capital. A operação, chamada Salus et Dignitas, resultou também na prisão de Léo do Moinho.

Conforme a denúncia do MP-SP, obtida pelo Metrópoles, o local armazenava cinco tijolos de cocaína, “608 porções de cocaína na forma de crack” e 98 porções e três tijolos de maconha.

O endereço fica próximo ao campo de futebol da comunidade, onde ocorrem eventos da associação.

Outros membros da família também foram denunciados por vínculos com o PCC. Em algumas reuniões com o governo federal, a associação foi representada por Yasmin Moja, filha de Alessandra e sobrinha de Léo do Moinho. Desde o fim de 2023, representantes do governo se reuniram ao menos cinco vezes com a entidade.

Repercussão

O deputado federal, Kim Kataguiri (União Brasil), compartilhou um vídeo em suas redes sociais, criticando a possível articulação do governo para a entrada do presidente na favela. 

“Sim, o próprio Lula visitou uma favela controlada pelo PCC, articulado por ONG presidida pela irmã do chefe do tráfico. E tinha droga do PCC na sede da ONG. Isso não é governo, é parceria com o crime. Tô convocando o ministro e exigindo respostas”, disse Kataguiri.

Em nota enviada ao Portal de Prefeitura, o governo federal afirmou que "a interlocução com representantes comunitários é uma prática essencial de qualquer governo". 

Confira na íntegra

A agenda do Presidente da República na Favela do Moinho, em São Paulo, teve caráter institucional e público, voltado à escuta da comunidade e ao anúncio de políticas públicas em uma das regiões mais vulneráveis da cidade.

A interlocução com representantes comunitários é uma prática essencial de qualquer governo que atue com políticas públicas voltadas à inclusão, à moradia e à promoção da dignidade. Associações locais são formadas e escolhidas pelos próprios moradores e constituem pontos naturais de contato com o poder público.

Neste caso em específico, a interlocução com o presidente se deu por meio de Flavia Maria da Silva, liderança designada pela comunidade como porta-voz, com trajetória reconhecida e idônea.

A agenda do presidente consistiu em um ato na quadra poliesportiva da comunidade, uma visita à escola local, onde foi recebido por um coral de crianças, e a uma visita de cortesia à residência de Flavia da Silva.

A segurança do presidente, da primeira-dama e de toda a comitiva foi conduzida de forma rigorosa pelos órgãos competentes, conforme o protocolo adotado em qualquer agenda presidencial, não tendo sido identificado qualquer risco à integridade das autoridades presentes.

O governo federal reforça que atua com responsabilidade institucional, respeito às normas de segurança e compromisso com a promoção de políticas públicas voltadas à inclusão social e à melhoria das condições de vida da população.

Da redação do Portal de Prefeitura com informações do Metrópoles.

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