Pernambuco, 14 de Dezembro de 2025

Inicio elemento rádio
Icone Rádio Portal

Ouça a Rádio Portal

Final elemento rádio

Câmara Municipal aprova projeto que 'devolve' moradores de rua para cidades de origem; veja onde

Pela proposta, O município terá a responsabilidade de criar uma plataforma online e uma central de atendimento telefônico para consultas e solicitações.

Ricardo Lélis

12 de novembro de 2025 às 20:22   - Atualizado às 20:22

Moradores de rua.

Moradores de rua. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Um projeto que pretende "devolver" pessoas em situação de rua para cidades de origem foi aprovado na terça-feira, 11 de novembro, em primeiro turno, pela Câmara Municipal de Belo Horizonte (MG). A votação da proposta provocou debates intensos entre situação e oposição no Legislativo.

Na justificativa do projeto, o vereador Vile Santos (PL), autor da proposta que cria o programa "De volta para a minha terra", afirmou que uma pesquisa da prefeitura de Belo Horizonte mostra que 30% da população em situação de rua demonstra interesse em retornar a cidades de onde vieram ou têm vínculo familiar e que quase 60% delas não eram da capital mineira.

Durante a sessão da Câmara, vereadores que apoiam o projeto defenderam que a medida contribui para a "resolução de um grave problema" da capital.

"Ninguém será expulso. Ninguém será amarrado e forçado a ir embora. Este programa é para que a prefeitura aja de forma ativa É o projeto mais importante deste ano para a cidade de Belo Horizonte", afirmou Vile Santos.

Pelo texto da proposta, a prefeitura ficará responsável por avaliar as solicitações apresentadas pelas pessoas interessadas e manter o registro atualizado dos atendimentos. O município também terá a responsabilidade de criar uma plataforma online e uma central de atendimento telefônico para consultas e solicitações.

Veja Também

Na esteira de Florianópolis

O projeto em Belo Horizonte foi votado na semana seguinte ao prefeito de Florianópolis (SC), Topázio Neto (PSD), anunciar o lançamento de um posto de atendimento da Assistência Social na rodoviária do município para fazer o controle de quem chega na cidade. Se a pessoa desembarcar na cidade sem emprego e local para morar, a prefeitura dá a passagem de volta.

A medida adotada em Florianópolis foi citada durante a votação do projeto em Belo Horizonte. O vereador Uner Augusto (PL) afirmou que fez uma indicação para que a prefeitura da capital mineira adote o mesmo programa.

O projeto de lei de Belo Horizonte, que tem seis artigos, foi votado de forma destacada. Do primeiro ao quinto, a votação foi de 29 vereadores favoráveis e oito contrários.

A votação especificamente do artigo sexto, que trata do início do programa a partir da sanção, recebeu 30 votos a favor e oito contra.

Conforme o Legislativo, a proposta será encaminhada às comissões da Casa para análise de emendas antes de ser votada em segundo turno. Somente após a segunda aprovação, a proposta será enviada para sanção ou veto do prefeito Álvaro Damião (União Brasil).

O Estadão entrou em contato com a prefeitura sobre o novo programa e aguarda retorno.

Oposição critica medida

O vereador de oposição Pedro Patrus (PT) afirmou na sessão que a capital mineira já conta com política dedicada a migrantes. Trata-se do programa "Atenção ao Migrante", que oferece às pessoas em situação de rua ou de passagem pelo município o pagamento de passagens intermunicipais e interestaduais, além de serviço de acolhimento e escuta.

"O vereador que fez esse projeto não conhece o Sistema Único de Assistência Social (Suas), que já conta com um amplo programa de proteção a pessoas em vulnerabilidade social", disse. Segundo ele, é preciso projetos que "ampliem políticas públicas e não criminalizem a população mais pobre".

Para a vereadora Luiza Dulci (PT), o problema de pessoas que vivem nas ruas não é exclusividade de Belo Horizonte. Para a parlamentar, não dá para "simplesmente mandar as pessoas embora e achar que a questão foi resolvida". Ela destacou que a medida foi proposta sem que houvesse discussão com os órgãos e pessoas que estão "há muito tempo nessa luta".

"Esse projeto simplifica o problema e está desconectado das políticas de assistência social para as pessoas em situação de rua que já estão em andamento na cidade. Precisamos de políticas de moradia, de segurança alimentar e de movimentar a economia para que as pessoas tenham onde trabalhar", disse a vereadora.

Endereço social

Outro projeto aprovado em primeiro turno na terça-feira, 11, que também aborda a população de rua, cria o chamado endereço social a pessoas em situação de vulnerabilidade.

A ideia é que o endereço viabilize o acesso a cartas, contas, correspondências, entregas e similares, "objetivando a ressocialização da população menos favorecida".

A proposta, de autoria de quatro vereadores do PL, recebeu 34 votos favoráveis e cinco contrários. Pelo texto, as pessoas cadastradas deverão retirar suas correspondências pelo menos uma vez por mês, sob o risco de serem desabilitadas do programa em caso de atraso.

Estadão Conteúdo

Mais Conteúdos

Mais Conteúdos

Mais Lidas

Icone Localização

Recife

13:12, 14 Dez

Imagem Clima

29

°c

Fonte: OpenWeather

Icone Enquete

Enquete

Você confia nos institutos de pesquisa que divulgam dados sobre política?

Notícias Relacionadas

Jones Manoel critica privatização de parques no Recife
Comunidades

Jones Manoel critica privatização de parques no Recife e acusa gestão João Campos de exclusão social

Historiador e influenciador comunista afirma que concessões transformam espaços públicos em áreas elitizadas e dominadas por publicidade

Moradores enfileirando corpos no Rio.
Vergonha

Brasil está entre os países mais perigosos do mundo em 2025, aponta relatório internacional

Ranking da ONG ACLED coloca Brasil, México, Equador e Haiti entre as nações com maior nível de violência neste ano.

Ex presidente Jair Bolsonaro.
Registro

Carlos divulga vídeo de Bolsonaro tendo crise de soluço enquanto dorme

O filho do ex-presidente mencionou preocupações relacionadas a crises de refluxo e à possibilidade de complicações caso não haja acompanhamento médico constante.

mais notícias

+

Newsletter