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Bolsonaro diz que exagerou ao falar "caguei" para possível prisão após denúncia da PGR

O ex-presidente também defendeu eleger uma superbancada no Senado em 2026 para fazer frente a "quem extrapolar suas funções", numa referência ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Ricardo Lélis

22 de fevereiro de 2025 às 15:10   - Atualizado às 15:10

Bolsonaro

Bolsonaro Foto:Reprodução/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou na sexta-feira, 21 de fevereiro, ter exagerado ao dizer no dia anterior que "cagou" para uma possível prisão por conta das investigações sobre sua eventual participação numa tentativa de golpe.

A nova declaração foi dada no encerramento de um seminário de seu partido, o PL, voltado para comunicação digital.

Na quinta-feira, 20, em sua primeira aparição pública após ser denunciado por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro havia afirmado que estava com a "consciência tranquila", pois o documento de 272 páginas apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) seria, em sua visão, uma mera narrativa contra a direita.

"Vão prender o Bolsonaro? Caguei para a prisão", afirmara.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Desta vez, o ex-presidente modulou o discurso:

"Ontem eu exagerei aqui um pouquinho, falando que estou assim para uma possível prisão. Mas você às vezes dá uns coices por aí", disse ele para uma plateia cheia no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Bolsonaro também defendeu eleger uma superbancada no Senado em 2026 para fazer frente a "quem extrapolar suas funções", numa referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator das investigações contra ele.

O Senado se tornou obsessão da direita uma vez que se trata da Casa responsável por julgar pedidos de impeachment contra ministros do STF.

Parlamentares do PL passaram a defender abertamente construir uma maioria para contra-atacar Moraes, tornado desafeto número um do bolsonarismo desde os inquéritos contra ataques virtuais, atos democráticos e, mais recentemente, o 8 de Janeiro.

"No ano que vem vocês vão me dar mais de 50% na Câmara e no Senado. Nós vamos voltar", pediu ao público, para adiante voltar ao assunto. "Vamos investir ano que vem numa bancada grande no Senado. Uma bancada que não vai perseguir ninguém, mas (que será) forte para alguém que porventura queira extrapolar as suas funções".

Bolsonaro tentou se desvincular da insurreição de 8 de janeiro de 2023, quando seus apoiadores depredaram os prédios dos Três Poderes clamando por um golpe contra o governo Lula, ao dizer que "aquilo surpreendeu a todos".

"Me botaram no processo como tendo participado do 8 de Janeiro. Não existe sequer uma mensagem minha. Aquilo surpreendeu a todos", declarou.

Antes de seu discurso de 25 minutos, Bolsonaro chorou com um vídeo contendo depoimento dos seus três filhos mais velhos, o senador Flávio, o deputado federal Eduardo e o vereador Carlos, o único presente no evento.

Mais cedo, Carlos também chorou duas vezes ao comentar sobre o pai no palco do evento, uma delas quando mencionava o cerco que o ex-presidente tem tido por conta das investigações.

Na terça-feira, 18, o chefe da PGR, Paulo Gonet, denunciou Bolsonaro e outras 33 pessoas no inquérito do golpe (24 são militares).

Após analisar durante três meses as provas reunidas pela Polícia Federal (PF), que indiciou o ex-presidente, Gonet concluiu que Bolsonaro não apenas tinha conhecimento do plano golpista como liderou as articulações para dar um golpe de Estado. Se for condenado, o ex-presidente pode pegar mais de 43 anos de prisão.

Estadão Conteúdo

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