Um câmbio que não deu certo foi o automatizado da Renault, ou Easy'R. Em brave sai matéria sobre os automatizados. Renault/Divulgação
O avanço da engenharia automotiva transformou drasticamente a forma como os veículos gerenciam a força gerada pelo motor. Hoje, a escolha de um carro novo passa diretamente pelo tipo de transmissão disponível no portfólio das montadoras.
Entre as opções sem pedal de embreagem que dominam o mercado nacional, destacam-se três tecnologias principais, cada uma projetada com arquiteturas distintas para atender a diferentes perfis de condução, consumo de combustível e custos de manutenção a longo prazo.
A transmissão automática convencional utiliza o conversor de torque como elemento central de acoplamento hidráulico, substituindo a embreagem mecânica tradicional.
Posicionado estrategicamente entre o motor e a caixa de engrenagens sequenciais, esse componente fechado opera por meio de fluido, sendo composto internamente por uma bomba de óleo conectada ao motor, uma turbina ligada à transmissão e um estator central que direciona o fluxo interno. O movimento rotacional é transmitido através da pressão do óleo, o que garante um rodar extremamente suave e livre de solavancos.
Para atenuar o leve atraso de resposta característico desse sistema fluido e melhorar a economia de combustível em velocidades de cruzeiro, os projetos modernos integram o sistema de bloqueio, que trava o conversor eletronicamente para evitar o deslizamento de energia.
A transmissão continuamente variável, amplamente conhecida pela sigla CVT, adota uma abordagem totalmente diferente, abrindo mão das engrenagens sequenciais de tamanhos fixos.
O sistema baseia-se em duas polias cônicas de diâmetros variáveis conectadas por uma correia metálica de alta resistência ou corrente. Conforme o veículo acelera ou reduz, as polias alteram as suas larguras de maneira gradual e contínua, modificando a relação de transmissão de forma linear.
A grande vantagem dessa arquitetura é proporcionar relações de marcha virtualmente infinitas, permitindo que a unidade eletrônica gerencie o motor para trabalhar sempre em sua faixa ideal de rotação e menor consumo. Essa característica elimina completamente os trancos de troca, tornando o veículo ideal para o tráfego urbano cotidiano.
Para os motoristas que priorizam o desempenho esportivo e respostas dinâmicas imediatas, a caixa de dupla embreagem surge como a solução mais refinada.
Diferente das opções anteriores, esse sistema baseia-se nos princípios mecânicos de uma caixa manual, mas utiliza atuadores robotizados, eletrônicos e hidráulicos para realizar as trocas de maneira totalmente autônoma. O segredo da agilidade reside na presença de duas embreagens distintas que se alternam no acoplamento das marchas, onde uma gerencia as engrenagens pares e a outra cuida das ímpares.
Enquanto o automóvel acelera em uma determinada marcha, a velocidade seguinte já fica pré-selecionada e pronta para o acoplamento imediato, resultando em trocas quase instantâneas e sem interrupção na entrega de potência.
No cenário de pós-venda, o comportamento e a robustez de cada sistema dividem opiniões e impactam diretamente o bolso do proprietário. O câmbio automático tradicional com conversor de torque é altamente valorizado pela sua maturidade e confiabilidade histórica, embora os custos de reparo em caso de falha grave sejam elevados.
Por outro lado, as caixas de dupla embreagem oferecem a melhor eficiência energética e velocidade de resposta, mas carregam um histórico de reclamações sobre durabilidade e custos severos de manutenção em modelos mais antigos. O sistema CVT consolida-se como uma alternativa equilibrada, apresentando simplicidade mecânica que resulta em excelente durabilidade para veículos de passeio focados na economia diária.
Os modelos híbridos exigem uma engenharia muito mais complexa, pois precisam gerenciar e combinar a força de duas fontes de energia distintas: o motor a combustão e um ou mais propulsores elétricos. Para solucionar esse desafio, muitas fabricantes utilizam a transmissão eletrônica continuamente variável, ou e-CVT.
Apesar do nome parecido, ela não usa as polias e correias do CVT convencional, mas sim um sofisticado conjunto de engrenagens planetárias que atua como um divisor de potência, combinando as forças de forma magnética e suave. Outra solução moderna é a Transmissão Híbrida Dedicada, que integra os motores elétricos diretamente dentro de uma caixa compacta de poucas marchas mecânicas, otimizando tanto a tração combinada quanto a regeneração de energia para a bateria durante as frenagens.
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