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Proteína celular pode ajudar a combater o avanço do câncer, aponta estudo

Os resultados foram publicados em março na revista científica Cytotechnology e representam uma etapa inicial da pesquisa.

Isabella Lopes

11 de julho de 2026 às 14:46   - Atualizado às 14:46

proteína SDC4 (sindecam 4).

proteína SDC4 (sindecam 4). Foto: Reprodução/IA.

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificaram uma proteína que poderá contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias de combate ao câncer. O estudo indica que a inibição da proteína SDC4 (sindecam-4) pode reduzir a capacidade de proliferação das células tumorais e enfraquecer mecanismos ligados à formação de metástases.

Os resultados foram publicados em março na revista científica Cytotechnology e representam uma etapa inicial da pesquisa. Até o momento, os experimentos ocorreram em laboratório, e os cientistas destacam que os dados ainda precisarão ser confirmados em células humanas antes de uma possível aplicação clínica.

A SDC4 está presente na superfície das células e participa de funções importantes relacionadas à adesão dos tecidos. No entanto, quando ocorre produção excessiva dessa proteína, ela pode favorecer o desenvolvimento e a progressão do câncer.

Segundo os pesquisadores, a molécula ajuda as células tumorais a sobreviver mesmo depois de se desprenderem do tecido de origem. Essa característica facilita o deslocamento dessas células para outras partes do organismo, processo associado ao surgimento de metástases.

Durante o estudo, a equipe verificou que o bloqueio da SDC4 interrompeu a divisão celular e reduziu a resistência das células analisadas.

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Testes mostraram redução das características malignas

Os pesquisadores realizaram os experimentos com células de vasos sanguíneos de coelhos cultivadas em laboratório. Eles impediram que essas células permanecessem aderidas a uma superfície para avaliar seu comportamento.

A maior parte das células morreu, mas uma pequena parcela sobreviveu e passou a produzir grandes quantidades da proteína SDC4, além de apresentar características mais agressivas.

Em seguida, a equipe utilizou técnicas de engenharia genética para inibir a proteína. Após esse procedimento, as células perderam parte das características associadas ao comportamento tumoral e voltaram a depender da adesão ao tecido para permanecerem vivas.

Os cientistas também observaram que o bloqueio da SDC4 aumentou a produção da molécula p27, conhecida por limitar a divisão celular, além de reequilibrar proteínas que regulam a multiplicação das células.

Pesquisa ainda está em fase inicial

A professora Carla Cristina Lopes, do Departamento de Ciências Biológicas da Unifesp e autora correspondente do estudo, afirmou que a SDC4 apresenta potencial para se tornar um alvo terapêutico e também um possível marcador para acompanhar a evolução de tumores. No entanto, ela ressalta que os resultados ainda exigem validação em diferentes tipos de câncer antes de qualquer aplicação em pacientes.

Além da continuidade dos estudos em células humanas, a equipe pretende investigar se o canabidiol (CBD), composto não psicoativo derivado da Cannabis sativa, pode atuar sobre a proteína SDC4 e contribuir para novas linhas de pesquisa.

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