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Por que Pernambuco registra tantos ataques de tubarão? Especialistas apontam influência de Suape

Estado chegou a 84 ocorrências monitoradas após novos casos em Piedade e Boa Viagem; mudanças ambientais estão entre os fatores analisados.

02 de junho de 2026 às 13:40   - Atualizado às 14:26

Brasil é o quarto país com mais casos de ataques de tubarão no mundo; confira o ranking

Brasil é o quarto país com mais casos de ataques de tubarão no mundo; confira o ranking Foto: Reprodução

Os dois ataques de tubarão registrados em menos de 24 horas no litoral pernambucano reacenderam um debate que acompanha o estado há décadas.

Com os novos casos ocorridos em Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, e em Boa Viagem, no Recife, Pernambuco alcançou a marca de 84 incidentes oficialmente monitorados desde o início da série histórica.

O estado concentra um dos maiores números de ocorrências desse tipo no Brasil, especialmente em praias da Região Metropolitana do Recife. Para especialistas e órgãos de monitoramento, a explicação envolve uma combinação de fatores ambientais, geográficos e humanos.

Litoral sul

Um dos principais pontos apontados é a transformação do litoral sul pernambucano ao longo das últimas décadas, incluindo a construção do Porto de Suape.

Alterações em áreas de manguezal e em ambientes utilizados por tubarões para alimentação e reprodução contribuíram para mudanças no comportamento e na circulação desses animais.

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Com isso, espécies como o tubarão-cabeça-chata passaram a ser observadas com maior frequência em áreas próximas à costa.

Outro fator considerado relevante é a própria característica do mar na região. Em diversos trechos do Grande Recife, a água costuma apresentar baixa visibilidade devido à presença de sedimentos e à influência dos rios que deságuam no oceano. Nessas condições, tubarões e banhistas podem se aproximar sem perceber a presença um do outro.

Além disso, a faixa litorânea entre o Cabo de Santo Agostinho e Olinda reúne características que favorecem a circulação de espécies marinhas de grande porte.

A existência de canais submarinos próximos à praia e a presença constante de cardumes fazem com que determinadas áreas sejam mais sensíveis à ocorrência desses encontros.

Segundo dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), dos 84 registros contabilizados em Pernambuco, 70 ocorreram na Região Metropolitana do Recife e 14 em Fernando de Noronha.

O trecho considerado de maior atenção possui cerca de 33 quilômetros de extensão e conta com sinalização alertando sobre os riscos. Em alguns pontos, inclusive, existem restrições e recomendações específicas para evitar a entrada no mar.

Os ataques registrados nesta semana voltaram a chamar a atenção para a importância de respeitar as orientações dos órgãos de monitoramento, evitar áreas sinalizadas e redobrar os cuidados em locais que possuem histórico de incidentes.

Embora os ataques sejam eventos raros diante do número de pessoas que frequentam as praias diariamente, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal forma de reduzir riscos no litoral pernambucano.

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