Operação denominada Check-in tem por finalidade reprimir a atuação de organização criminosa especializada na prática de fraudes licitatórios.
02 de junho de 2026 às 13:24 - Atualizado às 13:26
Operação Check-in. Fotos: Divulgação
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, 2 de junho, a Operação Check-in, que investiga um suposto esquema de corrupção, fraude em licitações e desvio de recursos públicos envolvendo contratos firmados com a Prefeitura do Recife.
A ação conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e tem como objetivo aprofundar as apurações sobre a atuação de uma organização criminosa suspeita de pagar vantagens indevidas a um agente público que ocupava cargo de alto escalão na administração municipal.
Segundo a Polícia Federal, as investigações tiveram início em 2026 após a análise de materiais apreendidos durante a Operação Firenze. Entre os documentos encontrados estavam canhotos de cheques que, de acordo com os investigadores, indicariam o pagamento de propina relacionado aos contratos sob investigação.
As apurações apontam que os supostos desvios teriam ocorrido em contratos de terceirização de mão de obra executados durante o ano de 2020.
De acordo com a Polícia Federal, a empresa investigada recebeu cerca de R$ 25,8 milhões da Prefeitura do Recife naquele período. Desse total, aproximadamente R$ 17 milhões tiveram origem em recursos federais.
Os investigadores também apuram a extensão da relação contratual entre a empresa e a administração municipal. Conforme informado pela PF, a companhia já mantinha contratos com a Prefeitura em anos anteriores a 2020, circunstância que pode ampliar o período analisado e aumentar o valor do possível prejuízo aos cofres públicos.
Até o momento, a operação tem como foco a coleta de provas e o aprofundamento das investigações sobre os fatos apontados pelos órgãos de controle e fiscalização.
Ao todo, 32 policiais federais e dois auditores da Controladoria-Geral da União participam da operação. As equipes cumprem oito mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. As diligências ocorrem nos municípios do Recife, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana.
Os materiais recolhidos durante as buscas deverão ser analisados pelos investigadores para verificar a existência de novas provas relacionadas aos contratos investigados e ao suposto esquema de corrupção.
A Polícia Federal informou que as apurações envolvem suspeitas de diversos crimes previstos na legislação brasileira.
Entre eles estão corrupção passiva, atribuída a agentes públicos que recebem ou solicitam vantagens indevidas em razão da função; corrupção ativa, relacionada ao oferecimento ou pagamento dessas vantagens; organização criminosa; fraude em licitação ou contrato administrativo; e lavagem de capitais.
As investigações buscam esclarecer a participação dos envolvidos, identificar a origem e o destino dos recursos movimentados e dimensionar eventuais prejuízos causados ao patrimônio público.
O nome "Check-in" foi escolhido em referência aos talonários e canhotos de cheques apreendidos em uma operação anterior da Polícia Federal.
Segundo os investigadores, esses documentos levantaram suspeitas sobre pagamentos que teriam sido realizados ao agente público investigado, o que motivou o aprofundamento das apurações e a abertura de uma nova fase investigativa.
A Polícia Federal destacou que a operação representa mais uma etapa do trabalho de combate à corrupção e ao desvio de recursos públicos. Os fatos ainda estão sob investigação, e os envolvidos terão assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa durante o andamento do processo.
Até o momento, a Prefeitura do Recife não foi citada pela Polícia Federal como alvo da operação, mas contratos firmados pela administração municipal estão entre os objetos analisados pelos investigadores.
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Contra o suspeito, identificado como Antonio Carlos da Silva Souza, de 65 anos, havia um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça por crimes de estelionato.
Todo o material recolhido será submetido a exames periciais especializados para verificar a existência de evidências relacionadas a crimes praticados
A ação recebeu o nome de Operação Sotave e teve como alvo um investigado residente na cidade do Grande Recife. Aparelhos eletrônicos foram apreendidos.
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