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Advogado de Bolsonaro afirma que vai pedir anulação da delação premiada de Mauro Cid

Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o ex-presidente e outros 33 investigados ao STF.

Gabriel Alves

25 de fevereiro de 2025 às 11:58   - Atualizado às 12:08

Bolsonaro ao lado de Mauro Cid.

Bolsonaro ao lado de Mauro Cid. Foto: Alan dos Santos/PR

O advogado Celso Vilardi, representante do ex-presidente Jair Bolsonaro, anunciou na segunda-feira, 24 de fevereiro, que entrará com um pedido para anular a delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-mandatário.

A declaração ocorreu após uma audiência com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso. Ao deixar a reunião, Vilardi afirmou ter protocolado diversas petições ao ministro, mas não adiantou detalhes sobre o conteúdo dos documentos.

Advogado minimiza áudios

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O advogado também minimizou o impacto da divulgação de novos áudios da Polícia Federal (PF), que fazem parte da investigação sobre a suposta tentativa de golpe de Estado. Segundo ele, as gravações não agravam a situação de Bolsonaro.

"Não tive acesso a todas as mídias. Isso precisa ser analisado dentro de um contexto, e não frases separadas", argumentou Vilardi.

Denúncia

Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Bolsonaro e outros 33 investigados ao STF. O julgamento da denúncia ficará a cargo da Primeira Turma da Corte, composta pelo relator Alexandre de Moraes e pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.

Se a maioria dos ministros aceitar a acusação, Bolsonaro e os demais investigados se tornarão réus e passarão a responder a uma ação penal no Supremo.

O STF ainda não definiu a data do julgamento, mas, considerando os trâmites legais, pode analisar o caso ainda no primeiro semestre de 2025.

Cid sob pressão

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, disse que o general da reserva Mário Fernandes, estava entre os que mais pressionavam o ex-presidente Jair Bolsonaro a tomar alguma medida. O pedido do militar atentava contra a democracia.

A solicitação do general foi no fim das eleições de 2022 até a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023.

Os detalhes constam um plano de ruptura institucional movido pelo ex-presidente e aliados.

A delação de Cid, que trabalhou ao lado de Bolsonaro durante todo mandato presidencial, serviu de base para a denúncia apresentada na terça-feira (18).

O procurador-geral da Republica, Paulo Gonet, acusou o ex-presidente e o próprio Cid, além de outras 32 pessoas, pelos crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

General

Fernandes, que é general do Exército e, no fim do mandato de Bolsonaro, foi secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, já foi comandante dos kids pretos, força de elite do Exército.

De acordo com a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), ele ficou responsável por coordenar as ações de monitoramento e assassinato de autoridades públicas. Inclusive, incluindo do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do próprio ministro Alexandre de Moraes, que presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os investigadores descobriram esse plano de atentado, chamado de Punhal Verde e Amarelo.

"Ele [Fernandes] era um general que estava muito ostensivo, inclusive nas redes sociais. Estava com os manifestantes o tempo todo, estava indo lá. Inclusive, o general Freire Gomes [então comandante do Exército] até cogitou punir ele, porque ele estava muito ostensivo na pressão para que os generais para que pudessem fazer alguma coisa. Ele estava bem, digamos, raivoso. Era o que mais impulsionava o presidente [Bolsonaro] a fazer alguma coisa", citou Mauro Cid na delação.

A polícia prendeu Fernandes no fim de novembro do ano passado. A prisão foi em operação da Polícia Federal (PF) que descobriu os planos para assassinar autoridades e instalar o caos no país.

Agência Brasil

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