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General pressionava Bolsonaro por golpe, revela Mauro Cid

A solicitação do militar foi no fim das eleições de 2022 até a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023.

21 de fevereiro de 2025 às 10:46   - Atualizado às 11:22

General pressionava Bolsonaro por golpe, revela Mauro Cid

General pressionava Bolsonaro por golpe, revela Mauro Cid Foto: Arte/Portal de Prefeitura

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, disse que o general da reserva Mário Fernandes, estava entre os que mais pressionavam o ex-presidente Jair Bolsonaro a tomar alguma medida. O pedido do militar atentava contra a democracia.

A solicitação do general foi no fim das eleições de 2022 até a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023.

Os detalhes constam um plano de ruptura institucional movido pelo ex-presidente e aliados.

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A delação de Cid, que trabalhou ao lado de Bolsonaro durante todo mandato presidencial, serviu de base para a denúncia apresentada na terça-feira (18).

O procurador-geral da Republica, Paulo Gonet, acusou o ex-presidente e o próprio Cid, além de outras 32 pessoas, pelos crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

General

Fernandes, que é general do Exército e, no fim do mandato de Bolsonaro, foi secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, já foi comandante dos kids pretos, força de elite do Exército.

De acordo com a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), ele ficou responsável por coordenar as ações de monitoramento e assassinato de autoridades públicas. Inclusive, incluindo do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do próprio ministro Alexandre de Moraes, que presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse plano de atentado, descoberto pelos investigadores, era chamado de Punhal Verde e Amarelo.

"Ele [Fernandes] era um general que estava muito ostensivo, inclusive nas redes sociais. Estava com os manifestantes o tempo todo, estava indo lá. Inclusive, o general Freire Gomes [então comandante do Exército] até cogitou punir ele, porque ele estava muito ostensivo na pressão para que os generais para que pudessem fazer alguma coisa. Ele estava bem, digamos, raivoso. Era o que mais impulsionava o presidente [Bolsonaro] a fazer alguma coisa", citou Mauro Cid na delação.

Fernandes foi preso no fim de novembro do ano passado. A prisão foi em operação da Polícia Federal (PF) que descobriu os planos para assassinar autoridades e instalar o caos no país.

Investigação

A investigação apontou que ele seria um dos militares "mais radicais" da trama golpista e que teria atuado como elo entre os manifestantes acampados em quarteis generais pelo país após as eleições de 2022, o governo federal e militares de diferentes patentes.

Segundo Mauro Cid, além de Mário Fernandes, outro envolvido nos planos golpistas é o general Walter Braga Netto. No qual, o mesmo também está preso em unidade do Exército no Rio de Janeiro.

"Braga Netto conversava todo dia com Bolsonaro, de manhã e no final da tarde, durante o período, após a derrota eleitoral, em que Bolsonaro ficou recluso no Alvorada", afirmou Cid.

O delator contou que foi ele mesmo quem agendou uma reunião, na casa de Braga Netto, no dia 12 de novembro de 2022. Onde, na qual também participaram dois coronéis do Exército: Rafael Oliveira e Ferreira Lima.

Atentados

A princípio, foi este o encontro que iniciou o planejamento dos atentados contra Lula, Alckmin e Moraes.

No entanto, Cid disse que saiu da reunião antes que o plano fosse discutido. A orientação foi de Braga Netto, para evitar conexão direta com o então presidente Jair Bolsonaro.

Apesar disso, de acordo com a PGR, Jair Bolsonaro estava ciente e concordou com o planejamento e a execução de ações. Pois, para os atentados contra a vida das três autoridades.

"Eu não participei do planejamento, não sabia qual era o objetivo, até pelo princípio da compartimentação, que é clássico na inteligência, nas Forças Especiais, só sabe e só pergunta o que você precisa saber", disse Cid.

Ainda de acordo com Cid, ele não tinha noção das graves demandas colocadas em pauta.

Só me ative a ajudar com o que eles demandavam. Não tinha noção que pudesse ser algo grave assim, de sequestro, assassinato, até que ponto eles podiam chegar", afirmou Cid no depoimento a Alexandre de Moraes.

R$ 100 mil em sacola de vinho

Em uma dessas demandas, o coronel Rafael Oliveira pediu a Cid que buscasse recursos para viabilizar o plano.

Entretanto, Cid então teria procurado inicialmente um tesoureiro do Partido Liberal (PL), o partido de Bolsonaro. Mas, diante da negativa, recebeu, no início de dezembro, no Palácio do Planalto, o valor em espécie de R$ 100 mil.

Com isso, o dinheiro foi entregue em mãos pelo próprio general Braga Netto, que disse ter obtido a quantia com o "pessoal do agronegócio".

Com informações da Agência Brasil.

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