Nicolás Maduro. Foto: Divulgação
A crise política e de direitos humanos na Venezuela segue se aprofundando. Segundo levantamento da ONG Foro Penal, divulgado em 8 de novembro, o país possui atualmente 884 presos políticos, sendo 767 homens e 117 mulheres, a maioria adultos, e apenas quatro adolescentes com idades entre 14 e 17 anos. Entre os detidos, 711 são civis e 173 são militares, e 85 possuem dupla nacionalidade ou outra cidadania.
O relatório indica que uma parcela significativa dessas detenções ocorreu após a eleição presidencial de julho de 2024, marcada por denúncias de fraude eleitoral pelo Conselho Nacional Eleitoral, controlado pelo governo de Nicolás Maduro. A vitória de Maduro foi proclamada, mas opositores e entidades civis rejeitam os resultados e afirmam que o regime utiliza prisões para silenciar vozes críticas. O governo, por sua vez, nega a existência de presos políticos, alegando que todos “cometeram crimes”.
Além do número elevado de detidos, há relatos preocupantes sobre condições de encarceramento. A ONG Justicia, Encuentro y Perdón (EJP) denunciou maus-tratos e isolamento na penitenciária de El Rodeo, próxima a Caracas. Familiares de detentos relataram espancamentos, suspensão de visitas, restrição de alimentos e tratamento humilhante, gerando profunda preocupação com a integridade física e psicológica dos presos.
A EJP fez um apelo urgente às autoridades venezuelanas, pedindo que garantam “a integridade física, a vida e a dignidade de todas as pessoas privadas de liberdade” e interrompam práticas que coloquem os detidos em risco. A ONG afirmou que continuará monitorando a situação, insistindo na transparência e no respeito aos direitos humanos.
O caso evidencia a persistente crise social e política no país, destacando a vulnerabilidade de civis e militares detidos por motivos políticos e a necessidade de maior fiscalização internacional. Além disso, o relatório lembra que a lista de presos políticos divulgada ainda não inclui todos os que foram libertados recentemente ou permaneceram detidos por períodos curtos, o que sugere que o número real pode ser ainda maior.
Para especialistas, a situação na Venezuela reflete uma estratégia sistemática de repressão política que combina detenção arbitrária, violação de direitos humanos e manipulação do sistema judicial. Famílias de presos relatam sofrimento constante, enquanto organizações internacionais acompanham de perto os acontecimentos, pressionando por mudanças e pelo cumprimento das normas internacionais de proteção aos direitos humanos.
A denúncia reforça que a questão dos presos políticos na Venezuela não é apenas uma estatística, mas uma crise real que afeta milhares de vidas e exige atenção da comunidade internacional, da sociedade civil e de órgãos de direitos humanos em todo o mundo.
Da redação do Portal com informações do site O Antagonista
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