A iniciativa busca obter informações que contribuam para a prisão ou condenação de integrantes de organizações criminosas que atuam em diferentes países.
Juan Gabriel Rivas Nunez. (Fotos: Reprodução)
Os Estados Unidos oferecem uma recompensa de até US$ 15 milhões, aproximadamente R$ 82 milhões, por informações que levem à captura de Juan Gabriel Rivas Núñez, conhecido como Juancho, apontado pelas autoridades americanas como um dos principais integrantes da facção criminosa venezuelana Tren de Aragua.
O homem, de 44 anos, fugiu de Roraima após retirar a própria tornozeleira eletrônica e colocar o equipamento em um sósia, enquanto cumpria prisão domiciliar em Boa Vista.
A recompensa foi anunciada na última quinta-feira, 5 de novembro, pelo Programa de Recompensas para o Crime Organizado Transnacional dos Estados Unidos.
A iniciativa busca obter informações que contribuam para a prisão ou condenação de integrantes de organizações criminosas que atuam em diferentes países.
A imagem de Juancho, acompanhada de informações sobre sua identificação e seus antecedentes, foi divulgada na sexta-feira (6) pelo Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei dos Estados Unidos (INL, na sigla em inglês).
Segundo as autoridades americanas, ele também utiliza os nomes Negro Juancho e Wilson Stalyn Aponte Rodríguez. O governo dos EUA aponta Rivas Núñez como responsável por supervisionar as atividades do Tren de Aragua na Venezuela.
Juancho foi preso em novembro de 2023, em Boa Vista, sob suspeita de comandar um esquema de contrabando de ouro na Venezuela. Depois de passar um período na prisão, ele conseguiu autorização para cumprir prisão domiciliar na residência onde morava, no bairro Paraviana, na zona Leste da capital de Roraima.
A fuga aconteceu no início de 2025. Conforme as informações sobre o caso, o criminoso retirou o equipamento de monitoramento eletrônico e colocou a tornozeleira em outra pessoa com aparência semelhante à sua, numa tentativa de enganar os mecanismos de fiscalização.
Depois de deixar o imóvel, ele passou a ser considerado foragido. Desde então, é procurado pelas autoridades brasileiras e internacionais.
De acordo com informações divulgadas pelo programa de recompensas americano, Juancho ocupa uma posição de destaque na estrutura da facção e é um dos dois principais subordinados de Yohan José Romero, apontado como atual líder do Tren de Aragua.
Anteriormente conhecida como Sindicato Juancho, a organização comandada por Rivas Núñez atua desde pelo menos 2009 e tem envolvimento com atividades criminosas relacionadas à exploração ilegal de ouro na Venezuela.
Uma nova acusação apresentada em 29 de julho de 2026 no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul do Texas atribuiu a Juancho e outros integrantes da organização crimes relacionados à conspiração para fornecer apoio material a uma organização terrorista estrangeira.
Além de Juancho, outros dois integrantes da cúpula do Tren de Aragua aparecem na lista de procurados divulgada pelas autoridades americanas.
O maior valor é oferecido por Yohan José Romero, conhecido como Yohan Petrica, apontado como líder da organização. Os Estados Unidos aumentaram a recompensa por informações que levem à sua captura para até US$ 20 milhões, aproximadamente R$ 110 milhões.
O terceiro procurado é Giovanni Vicente Mosquera Serrano, conhecido como Giovanni ou El Viejo. A recompensa oferecida por informações sobre ele chegou a US$ 15 milhões.
Somadas, as três ofertas chegam a US$ 50 milhões, aproximadamente R$ 275 milhões.
O Tren de Aragua surgiu como uma organização criminosa de origem venezuelana no início dos anos 2000 e expandiu suas atividades para diferentes países da América Latina, incluindo Colômbia, Peru, Equador, Chile e Brasil.
A organização também estabeleceu presença nos Estados Unidos e foi classificada pelo governo de Donald Trump como Organização Terrorista Estrangeira (FTO, na sigla em inglês) em 2025.
No Brasil, Roraima aparece como uma região estratégica para a atuação do grupo, especialmente por sua localização na fronteira com a Venezuela. Segundo as informações apresentadas sobre a facção, o território brasileiro é utilizado como corredor logístico e rota para o fornecimento de armamentos.
A investigação conduzida pelas autoridades americanas busca atingir a estrutura de comando da organização e interromper suas operações criminosas em diferentes países.
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