Cantor, músico e compositor Beto Hortis. Foto: Divulgação
Engana-se quem pensa que o talento para dominar o fole da sanfona é uma exclusividade geográfica do Sertão ou do Agreste. Embora essas regiões tenham nos dado nomes como Luiz Gonzaga e Dominguinhos, a Região Metropolitana do Recife também pulsa no ritmo do acordeom. Em Camaragibe, o músico Beto Hortis prova que a sonoridade nordestina não conhece fronteiras, consolidando-se como um dos maiores virtuosos do instrumento na atualidade.
João Roberto de Santana, o Beto Hortis, iniciou sua jornada musical aos 12 anos. Os primeiros acordes foram guiados pelo avô, Seu Vítor, e pelo Mestre Bibiu, referência histórica de Camaragibe. Hoje, o artista acumula quatro CDs lançados e uma carreira solo de 15 anos que já o levou de Brasília a Nova Iorque, unindo a tradição do forró à energia do frevo e do maracatu.
O talento de Beto Hortis é frequentemente celebrado por ícones da Música Popular Brasileira. Seu virtuosismo garantiu convites para acompanhar e interpretar obras de compositores como Jorge de Altinho, Alcymar Monteiro e Geraldo Azevedo. Um dos momentos de maior destaque em sua trajetória foi o convite de Elba Ramalho para integrar o projeto "Cordas, Gonzaga e Afins", uma homenagem emocionante aos 35 anos de carreira da artista e ao legado do Mestre Gonzagão.
A relação com Dominguinhos também marcou profundamente sua carreira. Além da amizade, Beto herdou a responsabilidade de manter viva a essência da sanfona, mas com uma "ousadia natural" de quem transita entre diferentes ritmos. Em 2011, ele lançou o disco "Frevo Sanfonado", onde promoveu um encontro musical inovador entre o forró, o frevo e o maracatu, mostrando que o fole pode e deve dialogar com todas as vertentes da cultura pernambucana.
Para além da performance como instrumentista, Beto Hortis firmou-se como um respeitado Diretor Musical. Em 2017, brilhou no Teatro de Santa Isabel durante o festival Janeiro de Grandes Espetáculos, assinando a direção e dividindo o palco com a baiana Margareth Menezes no projeto "Mestres do Mundo".
No mesmo ano, assumiu a direção musical do projeto "70 com 7" no Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), celebrando os 70 anos do clássico "Asa Branca". Seguindo o conselho de Luiz Gonzaga, que dizia que "sanfoneiro que não canta não ganha dinheiro", Beto também expandiu sua arte para o canto e a composição, diversificando sua presença artística e garantindo sua sustentabilidade no mercado musical.
A trajetória de Beto Hortis é pontuada por honrarias que reforçam sua importância para o patrimônio cultural de Pernambuco. Em 2014, recebeu o prestigiado Troféu Gonzagão em Campina Grande (PB) e ostenta com orgulho o título de cidadão de Carnaíba, terra de Zé Dantas, um dos maiores parceiros de Luiz Gonzaga.
Com os pés fincados em Camaragibe e o olhar no mundo, o artista segue a máxima gonzagueana: seu caminho é sem volta e ele vai para onde a estrada e a sanfona o levar. Através de sua voz e do som do fole, Beto Hortis continua a provar que a música é, acima de tudo, um território de alegrias e encontros inesquecíveis.
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