Milton Cunha e o Carnaval. Foto Montagem/Portal de Prefeitura
O Carnaval, celebrado como a maior festa popular do Brasil, tem origem e influência muito além da música e da dança. Segundo o carnavalesco, pesquisador e comunicador Milton Cunha, as escolas de samba têm raízes profundas no Candomblé e na Umbanda, tradições afro-brasileiras que influenciam a forma como os desfiles são conduzidos e vivenciados.
Em entrevista recente, Cunha explicou que o termo “macumba”, muitas vezes utilizado de forma pejorativa, refere-se originalmente ao batuque das religiões afro-brasileiras. Ele afirma que “a escola de samba é filha, tributária do batuque. Os ogãs vieram dos terreiros e foram tocar na bateria; as baterias tocam para os orixás”. Assim, cada elemento da apresentação tem um significado espiritual, desde a música até a energia presente nos momentos de preparação para o desfile, conhecidos como “esquenta”.
Durante o “esquenta”, a concentração de energia é intensa e está ligada à invocação dos ancestrais que fundaram os quilombos. Segundo Cunha, “quando a porta-bandeira gira, o vento vai buscar o ancestral falecido. Aquela parte de ‘esquenta’ é uma invocação de quem fundou aqueles quilombos”. A prática demonstra que o Carnaval vai além do entretenimento, envolvendo aspectos culturais, históricos e espirituais ligados ao Candomblé e à Umbanda.
Além disso, os sambas-enredo clássicos são interpretados como homenagens aos orixás e aos fundadores das comunidades negras periféricas. Para Cunha, compreender essa dimensão espiritual é essencial para perceber o verdadeiro significado da festa e respeitar sua origem cultural.
O pesquisador reforça que a festa não deve ser vista apenas como entretenimento. Há uma energia coletiva e ancestral que se manifesta durante os desfiles, sendo o Carnaval um espaço de resistência, celebração e memória histórica. Segundo ele, a participação consciente na festa implica reconhecer a influência espiritual das tradições afro-brasileiras e valorizar a riqueza cultural das religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda.
Entender essa relação também ajuda a compreender os debates atuais sobre apropriação cultural e respeito às religiões de matriz africana. O Carnaval não é apenas espetáculo; é a continuidade de uma tradição viva, espiritual e cultural que atravessa gerações.
Ao revelar a conexão entre escolas de samba e religiões afro-brasileiras, Milton Cunha convida o público a observar o Carnaval sob uma nova perspectiva: como uma festa popular que integra música, dança, cultura e espiritualidade, mantendo viva a herança do Candomblé e da Umbanda no Brasil contemporâneo.
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