Decisão analisa a segurança de uma atração temática e as consequências do acidente; empresa contesta entendimento judicial.
23 de setembro de 2026 às 15:28 - Atualizado às 15:41
Parque afirma que irá recorrer da decisão judicial. Foto: Reprodução/Redes sociais
O parque de diversões Hopi Hari teve mantida uma condenação de R$ 60 mil por um acidente que levou uma adolescente a perder o rim direito durante uma atração de terror. Na segunda-feira, 21 de setembro, a 31ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou os embargos de declaração apresentados pelo parque.
A indenização corresponde a R$ 50 mil por danos morais e R$ 10 mil por danos estéticos. A empresa contesta a responsabilidade pelo acidente e anunciou que recorrerá da decisão.
A jovem tinha 15 anos quando visitou o parque com uma excursão escolar. Durante a passagem pela atração conhecida como “Casa dos Monstros”, ela relatou ter sido perseguida por um funcionário caracterizado, caído e batido em uma espécie de degrau.
Após atendimento no ambulatório do empreendimento, a adolescente foi encaminhada a um hospital. O trauma no rim direito foi grave e exigiu a retirada completa do órgão. Na ação judicial, o parque negou a existência de degraus ou irregularidades no percurso capazes de provocar a queda.
Ao analisar o caso, o tribunal entendeu que correr, perder o equilíbrio ou reagir de maneira instintiva são comportamentos previsíveis em uma atração criada para provocar medo. Por isso, rejeitou o argumento de que a reação da adolescente afastaria a responsabilidade do empreendimento.
O acórdão também diferenciou a conclusão médica da análise jurídica: a perícia confirmou a ligação entre o trauma e a lesão renal, mas a definição da responsabilidade civil cabia à Justiça.
Para manter a reparação, os desembargadores consideraram a perda permanente do órgão, a necessidade de acompanhamento médico e as consequências da cirurgia. A indenização por danos estéticos levou em conta uma cicatriz de aproximadamente 17 centímetros. O pedido de R$ 150 mil por danos materiais foi rejeitado.
Em nota enviada à CNN Brasil, o Hopi Hari afirmou que a adolescente descumpriu as orientações da atração ao correr. A empresa também sustentou que o laudo pericial afastava sua participação no resultado e criticou a condenação.
“O departamento jurídico do Hopi Hari irá recorrer da decisão”, informou o parque.
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