Os conteúdos enganosos ganharam força em plataformas como Instagram e TikTok, acumulando milhares de visualizações e interações.
10 de julho de 2026 às 08:26 - Atualizado às 09:55
Cartão do Bolsa Família. Foto: MDAS/Divulgação
Publicações que circulam nas redes sociais afirmando que beneficiários do Bolsa Família receberão R$ 1.800 neste mês são falsas. A informação não consta em nenhuma medida oficial do Governo Federal e foi desmentida pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).
Os conteúdos enganosos ganharam força em plataformas como Instagram e TikTok, acumulando milhares de visualizações e interações. Em alguns casos, os vídeos utilizam apresentadores criados por inteligência artificial para dar aparência de credibilidade.
Em outros, imagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em eventos oficiais são usadas fora de contexto para sugerir que o suposto pagamento teria sido anunciado pelo governo.

Até o momento, não existe decreto, portaria ou publicação no Diário Oficial da União que autorize um pagamento extraordinário de R$ 1.800 aos beneficiários do programa.
Em nota enviada ao portal Aos Fatos, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social reforçou que a informação é falsa e esclareceu que não há previsão de criação desse benefício.
Atualmente, o Bolsa Família mantém o valor mínimo de R$ 600 por família, além dos benefícios adicionais previstos para crianças, adolescentes, gestantes e nutrizes, conforme as regras do programa.

Segundo a apuração do Aos Fatos, o único caso semelhante envolve uma lei municipal aprovada em Criciúma, em Santa Catarina.
A iniciativa prevê um auxílio de até R$ 1.800 para famílias inscritas no Bolsa Família que consigam emprego formal. O pagamento, porém, ocorre em seis parcelas de R$ 300 e é restrito ao município, sem qualquer relação com o programa federal.
Embora o governo federal não tenha criado um pagamento extra, existe uma situação específica em que um beneficiário pode receber esse valor de uma só vez.
Isso acontece quando uma família, que recebe R$ 600 mensais, teve o benefício bloqueado durante um processo de averiguação cadastral, regularizou a situação dentro do prazo estabelecido e passou a ter direito ao pagamento retroativo das parcelas acumuladas.
Nesse cenário, podem ser liberadas simultaneamente três parcelas de R$ 600, referentes aos meses de maio, junho e julho, totalizando R$ 1.800. Trata-se, porém, de um pagamento retroativo para casos específicos, e não de um novo benefício criado pelo governo.
O Ministério orienta que beneficiários sempre confirmem informações pelos canais oficiais do Governo Federal antes de compartilhar mensagens ou fornecer dados pessoais.
Promessas de pagamentos extras, benefícios não anunciados oficialmente ou supostas liberações de valores devem ser vistas com desconfiança, principalmente quando circulam apenas em redes sociais ou aplicativos de mensagens.
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