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Trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado após impasse nas negociações

A paralisação foi aprovada durante assembleias realizadas pelos sindicatos estaduais que representam a categoria

Romildo Lacerda

11 de setembro de 2026 às 14:17   - Atualizado às 14:17

Agência dos Correios no Shopping Recife

Agência dos Correios no Shopping Recife Foto: Divulgação

Os trabalhadores dos Correios iniciaram uma greve por tempo indeterminado na noite da quinta-feira, 10 de setembro, após as negociações salariais com a estatal terminarem sem acordo.

A paralisação foi aprovada durante assembleias realizadas pelos sindicatos estaduais que representam a categoria.

Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), o movimento teve início às 22h, depois que 35 sindicatos aprovaram a paralisação. No Acre, a votação sobre a greve está prevista para a tarde desta sexta-feira (11).

Negociação salarial termina sem acordo

De acordo com a Findect, a decisão ocorreu após uma série de reuniões entre representantes dos funcionários e da empresa, incluindo tentativas de conciliação conduzidas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).

A entidade afirma que os Correios mantiveram sua posição durante as negociações salariais, enquanto os trabalhadores rejeitaram as propostas apresentadas pela empresa. Outro ponto de divergência é o plano de saúde oferecido aos empregados.

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A federação afirma que a direção dos Correios pretende deixar de manter o benefício. Na avaliação dos trabalhadores, uma eventual mudança poderá aumentar os custos para os funcionários e comprometer o acesso à assistência médica.

Em comunicado, a Findect declarou que continuará acompanhando a mobilização junto aos sindicatos filiados e que permanece aberta ao diálogo para buscar uma solução para as reivindicações da categoria.

Correios enfrentam crise financeira

A paralisação ocorre em meio a uma situação financeira delicada enfrentada pela estatal. Os Correios registraram prejuízo de R$ 5,6 bilhões somente no primeiro semestre de 2026.

No ano passado, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco instituições bancárias com o objetivo de reestruturar suas operações. Para obter o aval do Tesouro Nacional, a estatal assumiu compromissos relacionados a um plano de reestruturação.

Entre as medidas previstas estavam o fechamento de agências, a retirada de uma gratificação de R$ 500 paga a funcionários que atuam no atendimento ao público e a implantação de um sistema destinado a calcular os recursos necessários para a realização das entregas.

As iniciativas, porém, foram suspensas em julho diante da possibilidade de uma paralisação dos trabalhadores.

Estatal negocia novo empréstimo

Paralelamente à greve, os Correios avançaram nas últimas semanas nas tratativas para conseguir um novo financiamento.

No início de setembro, a empresa encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta para um empréstimo de R$ 7 bilhões.

O pedido está sendo analisado pelo governo federal, inclusive em relação à capacidade de pagamento da estatal. A União deverá atuar como avalista e oferecer a garantia necessária para a contratação do novo financiamento.

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