Correios Foto: Reprodução/Internet
O governo federal deve enviar ao Congresso Nacional, na próxima segunda-feira, 31 de agosto, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 com a previsão de um empréstimo de R$ 6 bilhões aos Correios.
A operação foi incluída na proposta orçamentária como uma medida para reforçar o caixa da estatal, que atravessa uma grave crise econômico-financeira e passa por um processo de reestruturação.
De acordo com a proposta, os recursos serão obtidos por meio de uma operação de crédito. A medida terá impacto sobre o resultado nominal das contas públicas, mas não produzirá efeito direto sobre o resultado primário.
O dinheiro deverá ser utilizado para manter as atividades dos Correios, incluindo investimentos operacionais e o pagamento de despesas correntes.
A previsão de um novo financiamento ocorre após a estatal já ter recorrido a uma operação de R$ 12 bilhões em 2025, realizada com bancos privados e com aval da União.
A situação financeira dos Correios se deteriorou nos últimos três anos, período em que a empresa acumulou prejuízos, registrou queda nas receitas e viu suas despesas aumentarem. Diante desse cenário, a estatal passou a adotar medidas destinadas a reduzir custos e reorganizar suas operações.
A operação de R$ 6 bilhões foi autorizada pelo Tesouro Nacional e integra o plano de reestruturação dos Correios. O financiamento foi estruturado depois que cinco bancos apresentaram propostas de crédito para a empresa.
O acordo terá validade até 2040 e contará com garantia da União. Na prática, o aval significa que o governo federal oferece respaldo à operação e reduz o risco assumido pelas instituições financeiras que concederem o crédito.
Caso os Correios não consigam cumprir as parcelas do financiamento e entrem em inadimplência, a União poderá ser acionada para honrar os pagamentos. A garantia funciona, portanto, como uma proteção adicional para os bancos envolvidos na operação.
A inclusão do empréstimo no PLOA de 2027 ocorre em um momento no qual a empresa busca recuperar sua capacidade financeira e garantir a continuidade de suas atividades. O financiamento deverá contribuir para o caixa necessário à manutenção dos serviços e à execução dos investimentos previstos.
Além da busca por crédito, os Correios anunciaram, no ano passado, um plano de reestruturação com uma série de medidas para reduzir despesas e melhorar a situação financeira da empresa.
Entre as ações previstas estão o corte de custos, a implementação de um Programa de Demissão Voluntária (PDV), a venda de imóveis considerados ociosos e a renegociação de contratos.
O plano também contempla mudanças nas condições de trabalho e na estrutura de benefícios. Entre as medidas anunciadas estão a redução da jornada de trabalho, alterações nos planos de saúde e o retorno dos funcionários ao trabalho presencial.
Outra iniciativa prevista pela estatal é o lançamento de um marketplace próprio, ampliando a atuação dos Correios para além de suas atividades tradicionais.
O novo empréstimo, caso a previsão seja mantida no Orçamento de 2027, será mais uma etapa do esforço para enfrentar a crise financeira da empresa. A operação se soma às medidas de redução de custos e reorganização anunciadas pelos Correios, em uma tentativa de recuperar o equilíbrio das contas e manter o funcionamento da estatal.
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