Em 2021, torcedores organizados do Cruzeiro planejaram e executaram uma tocaia calculada para interceptar a linha de ônibus 6350, que transportava torcedores do Galo após jogo.
Membro da torcida organizada Máfia Azul é condenado a 67 anos de prisão por matar torcedor atleticano em emboscada Foto: TJMG
Na noite da quarta-feira, 12 de agosto, o encerramento do julgamento de Samuel Paixão de Souza, integrante da torcida organizada Máfia Azul, do Cruzeiro, marcou mais um capítulo na busca por justiça sobre um dos episódios mais brutais de rivalidade esportiva registrados no Estado. O réu foi condenado a uma pena severa de 67 anos de prisão em regime fechado.
O julgamento, conduzido pela juíza Maria Beatriz Fonseca Biasutti e decidido por um Conselho de Sentença composto por cinco homens e duas mulheres, detalhou a participação de Samuel na emboscada criminosa ocorrida em 28 de novembro de 2021.
Com a ausência do réu na sessão plenária, a magistrada determinou de imediato a expedição de um mandado de prisão para garantir o cumprimento da sentença.
O crime aconteceu logo após uma partida entre Atlético-MG e Fluminense, realizada no Estádio do Mineirão. De acordo com as investigações conduzidas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), torcedores organizados do Cruzeiro planejaram e executaram uma tocaia friamente calculada para interceptar a linha de ônibus 6350, que transportava torcedores rivais de volta para a região do Barreiro, em Belo Horizonte.
Os agressores utilizaram um veículo para bloquear o trajeto do coletivo e contaram com o reforço de outros membros do grupo. O que se seguiu foi uma cena de terror: armados com pedras, pedaços de madeira, barras de ferro, bolas de sinuca e fogos de artifício, os criminosos cercaram e invadiram o transporte público, agredindo violentamente os passageiros.
Testemunhas relataram momentos de desespero absoluto durante o ataque. Apelos desesperados para que idosos, crianças e pessoas que sequer haviam ido ao estádio fossem poupadas foram sumariamente ignorados pelos agressores. Passageiros que tentavam escapar pelas janelas para fugir das agressões também foram acuados e espancados.
Entre os alvos da violência desmedida estava Matheus de Freitas Ferreira, de apenas 20 anos. O jovem, que sequer vestia camisa de clube ou de torcida organizada, tornou-se a face trágica da intolerância. Matheus foi submetido a graves agressões físicas dentro do coletivo, chegou a ser socorrido e encaminhado para atendimento médico, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.
Logo após o atentado, os suspeitos tentaram escapar, mas a ação rápida da Polícia Militar permitiu a prisão de vários envolvidos em flagrante. No interior do veículo utilizado para bloquear o ônibus, os policiais apreenderam um verdadeiro arsenal de guerra urbana, incluindo bastões de madeira, artefatos explosivos caseiros, um soco inglês e fogos de artifício.
O processo que culminou na condenação de Samuel Paixão de Souza sofreu alterações logísticas ao longo dos anos. Inicialmente, ele seria julgado junto a outros três réus em 29 de julho, mas o desmembramento do processo ocorreu após a defesa apresentar atestados por motivos de saúde. Na ocasião, os corréus receberam penas de 48 anos e seis meses, 24 anos e 20 anos de reclusão.
Vale destacar que os acusados já haviam enfrentado julgamentos anteriores pelo mesmo crime. No entanto, as condenações iniciais foram integralmente anuladas após instâncias superiores reconhecerem irregularidades processuais, o que obrigou a Justiça a reestruturar todo o rito e realizar novos júris para assegurar a legalidade do processo penal.
Nota da redação: Este texto foi elaborado com o auxílio de inteligência artificial a partir de informações apuradas e revisado pela equipe editorial.
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