Produtos Ypê. Foto: Divulgação/Ypê
A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidiu, por unanimidade, negar o recurso apresentado pela Ypê e manter a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de parte dos produtos da empresa. A decisão saiu nesta sexta-feira, 15 de maio, e reforça as medidas adotadas após a fiscalização identificar falhas consideradas graves nas práticas de fabricação.
Apesar de manter a proibição sobre os produtos, a Anvisa retirou o efeito suspensivo especificamente sobre o recolhimento imediato dos lotes. Na prática, a agência flexibilizou apenas a medida de recolhimento, mas manteve a restrição sobre a produção e venda dos itens até que a empresa comprove a correção das falhas.
A decisão atinge todos os lotes de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes que possuem numeração final 1. Esses produtos permanecem impedidos de circular no mercado enquanto a empresa não apresenta garantias técnicas de segurança.
O relator do caso, o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, votou pela manutenção das proibições após analisar os relatórios da inspeção realizada na fábrica da empresa. Os diretores Daniela Marreco, Marcelo Mario, Daniel Meirelles e Thiago Lopes acompanharam o voto.
Durante a reunião, Safatle explicou que os fiscais encontraram deficiências sistêmicas nas boas práticas de fabricação. Ele afirmou que a empresa não conseguiu identificar claramente quais lotes estavam contaminados, o que elevou o risco sanitário. Segundo ele, o sistema falhou tanto na prevenção da contaminação quanto na identificação do problema após a sua ocorrência.
O diretor destacou que existe o risco potencial de produtos contaminados terem sido comercializados sem que a empresa conseguisse rastrear corretamente os lotes afetados. Essa falha pesou na decisão da diretoria em manter as restrições.
Na semana passada, a Anvisa e a Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo já haviam suspendido 25 produtos da empresa, entre detergentes, sabão em pó e desinfetantes. A agência também havia determinado o recolhimento de lotes das fábricas. Agora, a Anvisa ajusta apenas a medida relacionada ao recolhimento, mas mantém o restante das proibições.
Ao mesmo tempo, a agência abriu espaço para diálogo técnico com a empresa. A Anvisa determinou que a Ypê apresente um plano de ação baseado em análise de risco. Esse plano permitirá que a agência acompanhe tecnicamente as correções e avalie, de forma gradual, a possível liberação de produtos lote a lote.
Safatle ressaltou que a decisão busca equilíbrio entre a proteção da saúde pública e a necessidade de ajustes por parte da empresa. Ele afirmou que o poder público e a empresa têm interesse em promover as correções necessárias para garantir que os produtos voltem ao mercado dentro dos padrões de qualidade e segurança.
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