Rinha de marcas: dona da Omo e da Cif denunciou contaminação em produtos da Ypê Foto: Reprodução
Bastidores do setor de limpeza revelam que a recente suspensão de produtos da marca Ypê pela Agência Nacional de Vigilência Sanitária (Anvisa) teve origem em uma ofensiva de sua principal concorrente.
A Unilever, detentora de marcas como Omo e Cif, protocolou denúncias formais na Anvisa e na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) após identificar contaminação microbiológica em diversas linhas da rival. A disputa, revelada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo.
A movimentação da Unilever começou em novembro de 2025. Após realizar testes laboratoriais internos, a companhia reportou a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa/paraaeruginosa em quatro lotes do lava-roupas Tixan Ypê Express. Os itens afetados pertenciam às versões "Cuida das roupas" e "Combate mau odor", com vencimento previsto para meados de 2027.
Na ocasião, a multinacional alertou as autoridades sobre um "desvio microbiológico relevante", classificando a situação como um risco iminente para a segurança e saúde de quem utiliza os produtos.
Em março de 2026, a Unilever elevou o tom da denúncia ao apresentar novos resultados, desta vez baseados em análises do laboratório Eurofins. O segundo documento listou irregularidades em outros 14 lotes da linha Ypê, expandindo o foco da contaminação.
A presença da Pseudomonas aeruginosa em produtos de limpeza é considerada uma falha grave de segurança. Essa bactéria é um patógeno oportunista que pode causar infecções em humanos, especialmente em pessoas com o sistema imunológico fragilizado ou através de contato com feridas abertas e mucosas.
Até o momento, a Anvisa confirmou que a suspensão e o recolhimento dos lotes foram medidas preventivas necessárias. O episódio marca um capítulo tenso na competitividade do mercado de higiene, onde a vigilância entre marcas rivais acabou antecipando a ação dos órgãos reguladores brasileiros.
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