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TCU aponta insuficiência de metas fiscais para estabilizar dívida pública do Governo Lula

Equipe do Tribunal avaliou as projeções oficiais publicadas pelo Tesouro Nacional nos relatórios de Projeções Fiscais (RPFs) e de Projeção da Dívida Pública (RPDPs).

Ricardo Lélis

04 de junho de 2026 às 21:55   - Atualizado às 21:55

Presidente Lula.

Presidente Lula. Foto: Divulgação

O Tribunal de Contas da União (TCU) disse na quarta-feira, 3 de junho, que há "insuficiência das metas fiscais vigentes" para a estabilização da dívida bruta do governo geral (DBGG) em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de bens e serviços.

Também foi destacada a trajetória ascendente da dívida em todos os cenários projetados até 2029. As conclusões são da equipe técnica da Unidade Especializada em Orçamento, Tributação e Gestão Fiscal (AudFiscal).

O plenário da Corte de Contas determinou que o Tesouro Nacional passe a deixar evidente o nível de resultados fiscais "consistente com a estabilização" da dívida bruta em relação ao PIB no horizonte de dez anos. A obrigação é para os próximos projetos de lei de diretrizes orçamentárias.

A equipe do TCU avaliou as projeções oficiais publicadas pelo Tesouro Nacional nos relatórios de Projeções Fiscais (RPFs) e de Projeção da Dívida Pública (RPDPs).

Os cálculos da fiscalização mostraram que, mesmo com o cumprimento das metas fiscais, a estabilização da relação dívida/PIB não está assegurada.

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"A equipe concluiu que as metas fiscais efetivas são insuficientes para assegurar a estabilização da DBGG até 2029 em todos os cenários projetados, inclusive naquele que pressupõe o cumprimento integral das metas de resultado primário efetivo estabelecidas na LDO 2026 (para os próximos anos)", detalha o acórdão.

Nos cenários de referência das projeções, o TCU vê como um problema central a "dependência crescente" das chamadas receitas condicionais. Exemplos são as estimativas de arrecadação que dependem da aprovação prévia de novas medidas legais.

A lei do arcabouço fiscal, aprovada em 2023, passou a exigir a compatibilidade das metas fiscais com o objetivo de médio prazo de estabilização da relação dívida/PIB.

Outras inconsistências apontadas pela fiscalização do TCU incluem: deterioração dos indicadores de capacidade de pagamento; hiato entre o resultado primário efetivo e o estabilizador estimado; e transparência insuficiente das projeções oficiais de DBGG/PIB quanto à sensibilidade a receitas condicionais.

O indicador "juros/receita" foi o que apresentou pior evolução no triênio de 2023 a 2025, ainda de acordo com a fiscalização.

Estadão Conteúdo

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