Em junho de 2026, o quilo da picanha no atacado chegou a R$ 72,38, valor superior ao rendimento diário de um trabalhador que recebe o salário mínimo nacional.
Lula ao lado da picanha. Foto: Divulgação
A promessa de tornar a picanha novamente acessível à população brasileira, uma das marcas da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022, enfrenta um obstáculo cada vez maior: o aumento do preço da carne bovina. Dados da consultoria Safras & Mercado mostram que o valor do produto acumula alta de 25,7% desde janeiro de 2023, superando a evolução da renda de milhões de trabalhadores.
Em junho de 2026, o quilo da picanha no atacado chegou a R$ 72,38, valor que já ultrapassa o rendimento diário de quem recebe um salário mínimo. Atualmente, o piso nacional é de R$ 1.630, o equivalente a aproximadamente R$ 54,33 por dia.
Na prática, isso significa que um trabalhador precisa dedicar mais de um dia inteiro de trabalho para comprar apenas um quilo de um dos cortes mais populares do país.
No início de 2023, quando Lula assumiu o terceiro mandato presidencial, o quilo da picanha custava R$ 57,56, já considerando a correção pela inflação oficial. Três anos depois, o aumento acumulado tornou o produto ainda mais distante da realidade financeira de boa parte da população.
Para famílias que dependem exclusivamente do salário mínimo, o impacto vai além do preço da carne. O orçamento doméstico também precisa absorver gastos com aluguel, transporte, energia elétrica, medicamentos e alimentação básica.
Nesse cenário, a compra de produtos tradicionalmente associados aos encontros familiares e às comemorações acaba sendo deixada em segundo plano.
A alta reacende um debate que marcou as eleições de 2022, quando a imagem da "picanha e cerveja" foi usada como símbolo da recuperação do poder de compra dos brasileiros.
Especialistas do setor agropecuário afirmam que o aumento no preço da carne não está diretamente ligado a uma única decisão econômica do governo federal. O principal motivo apontado para a alta é a mudança no chamado ciclo pecuário.
Entre 2023 e 2024, o Brasil registrou um período de forte abate de vacas e novilhas, aumentando a oferta de carne no mercado e contribuindo para a redução dos preços. No entanto, a diminuição do número de matrizes disponíveis para reprodução reduziu a quantidade de animais prontos para o abate nos anos seguintes.
Com menos animais disponíveis, os frigoríficos passaram a pagar mais caro pelo boi gordo, custo que acabou sendo repassado ao consumidor final.
A valorização da picanha volta a colocar em discussão uma das principais promessas associadas à campanha de Lula. Embora economistas ressaltem que a inflação dos alimentos depende de fatores internos e externos, o consumidor tende a perceber apenas o impacto direto no bolso.
Para quem recebe o salário mínimo, a matemática é simples: um quilo de picanha já custa mais do que o rendimento obtido em um dia de trabalho.
Enquanto especialistas discutem as causas econômicas da alta, milhões de brasileiros continuam adaptando o orçamento e substituindo produtos para equilibrar as contas no fim do mês.
Com as eleições de 2026 se aproximando, o preço dos alimentos e o poder de compra da população prometem ocupar novamente um espaço central no debate político nacional.
1
2
3
16:30, 30 Jul
25
°c
Fonte: OpenWeather
Os últimos levantamentos da Múltipla, Simplex, Quaest e Ipespe, trouxe a governadora na liderança em todos os cenários e com casos de virada.
Levantamento identificou que 16 órgãos municipais possuem mais da metade do quadro formado por servidores comissionados ou funções gratificadas
Dados disponíveis no Portal da Transparência apontam que valores serviram para custear deslocamentos de ocupantes de cargos de confiança da administração pública
mais notícias
+