Lula ao lado da picanha. Foto: Divulgação
A picanha voltou a ganhar espaço nas discussões sobre o custo de vida no Brasil após registrar uma alta nos últimos anos. Um levantamento da consultoria Safras & Mercado, com dados corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mostra que o preço da carne bovina voltou a subir depois de um período de queda registrado entre 2023 e 2024. O movimento ocorre em meio ao início das discussões sobre as eleições de 2026 e reacende um tema que marcou a campanha presidencial de Lula em 2022.
De acordo com o estudo, o quilo da picanha no atacado custava R$ 72,38 em junho de 2026. O valor representa uma alta de 10,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Quando o preço atual é comparado ao registrado em janeiro de 2023, já com os valores corrigidos pelo IPCA, o aumento chega a 25,7%.
No início de 2023, o quilo da picanha equivalia a R$ 57,56. Desde então, o produto passou por oscilações, acompanhando as mudanças no mercado da pecuária brasileira.
Os dados apontam que a elevação recente dos preços não resulta diretamente de medidas econômicas adotadas pelo governo Lula. Especialistas atribuem o movimento principalmente à mudança no chamado ciclo pecuário, que influencia a oferta de animais destinados ao abate e, consequentemente, o preço da carne bovina.
Esse comportamento faz parte da dinâmica natural da produção pecuária. Quando o preço do boi gordo aumenta, muitos produtores ampliam os investimentos na criação de bezerros e mantêm um número maior de matrizes para reprodução. Com o passar do tempo, essa estratégia aumenta a oferta de animais no mercado.
Na etapa seguinte desse processo, muitos pecuaristas intensificam o abate de vacas e novilhas. Esse aumento na quantidade de animais disponíveis amplia a oferta de carne bovina e contribui para reduzir os preços pagos pelos consumidores.
Foi justamente esse cenário que predominou entre 2023 e 2024. Nesse período, o Brasil registrou um volume elevado de abate de fêmeas, o que aumentou a disponibilidade de carne no mercado interno. Como resultado, os preços recuaram e facilitaram o acesso do consumidor ao produto.
Agora, o quadro mudou. Depois do forte abate registrado nos anos anteriores, o número de matrizes disponíveis diminuiu. Essa redução limita a quantidade de animais prontos para abastecer os frigoríficos e reduz a oferta de carne bovina.
Com menos animais disponíveis para o abate, os frigoríficos enfrentam custos maiores para adquirir o boi gordo. Esse aumento acaba chegando ao consumidor final por meio do reajuste nos preços da carne.
A alta registrada pela picanha acompanha esse novo momento da pecuária nacional. Embora outros fatores econômicos também influenciem o consumo das famílias, o levantamento destaca que a principal razão para a valorização da carne está relacionada ao comportamento da oferta de animais.
1
2
3
15:47, 19 Ago
28
°c
Fonte: OpenWeather
Renan Santos relacionou a eventual produção de armamento nuclear à necessidade de ampliar o peso geopolítico brasileiro
Clarissa Oliveira avaliou que a presença do público teria sido resultado de uma mobilização previamente organizada pela campanha
O programa prevê contratação de serviços privados e filantrópicos quando a rede pública não cumprir prazo, mas ainda não define custos.
mais notícias
+