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PGR pede ao STF suspensão de leis que autorizam atuação das BETS no Brasil

Para Paulo Gonet, as medidas que exploram apostas virtuais, baseadas em eventos esportivos e jogos online, violam a Constituição Federal.

Gabriel Alves

12 de novembro de 2024 às 09:58   - Atualizado às 10:13

Paulo Gonet e celular operando apostas esportivas.

Paulo Gonet e celular operando apostas esportivas. Fotos: Gustavo Moreno - STF/ Bruno Peres - Agência Brasil. Edição: Portal de Prefeitura

Na segunda-feira, 11 de novembro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que declare inconstitucionais as leis que autorizam a prática de apostas virtuais, conhecidas como "bets", no Brasil. A solicitação foi feita por meio de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que questiona as Leis nº 14.790/2023 e nº 13.756/2018.

Questionamento das leis

O procurador argumenta que as leis que autorizam a exploração de apostas virtuais, baseadas em eventos esportivos e jogos online, violam a Constituição Federal ao não atenderem aos requisitos mínimos de preservação de bens e valores constitucionais. Para Gonet, a legislação permite a exploração indiscriminada dessas atividades, o que fere direitos sociais essenciais, como os direitos à saúde, à alimentação e à proteção de crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiência.

De acordo com o procurador, a regulamentação das apostas também conflita com os princípios da ordem econômica, do mercado interno e do dever do Estado de proteger a unidade familiar. Ele critica a falta de proteção adequada para os consumidores e a ausência de um processo licitatório adequado para a concessão desses serviços. Além disso, Gonet destaca que as normas ignoram a necessidade de restrições à propaganda de produtos de alto risco para a saúde.

Pedido de suspensão

Além de questionar a constitucionalidade das leis, o procurador-geral também fez um pedido cautelar, solicitando uma decisão liminar do STF para suspender temporariamente as normas que autorizam as apostas. Ele argumenta que, se a inconstitucionalidade for reconhecida, as apostas de quota fixa em eventos esportivos e virtuais se tornarão ilícitas no Brasil.

Gonet acredita que, com a suspensão dessas normas, a prática das bets não terá mais respaldo legal e se tornará ilegal conforme a legislação nacional. Ele também questiona as portarias do Ministério da Fazenda que regulamentam a modalidade de apostas, acusando-as de não proteger adequadamente os direitos fundamentais dos consumidores.

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Histórico da legalização das apostas no Brasil

A liberação das apostas esportivas no Brasil ocorreu em 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB), com a criação da nova modalidade de apostas por meio das bets. O governo de Jair Bolsonaro (PL) teve quatro anos para regulamentar o mercado de apostas, mas não tomou nenhuma medida nesse sentido.

Foi apenas no governo de Luiz Inácio Lula da Silva que a regulamentação foi iniciada. Em 2023, a Lei nº 14.790/2023 foi aprovada com o objetivo de reduzir os impactos sociais negativos do mercado de apostas virtuais. No entanto, para o procurador-geral, a regulamentação feita em 2023 não foi suficiente para garantir a proteção dos cidadãos e do mercado.

Legislação e preocupações com os impactos sociais

Paulo Gonet Branco afirma que a legislação atual é inadequada para enfrentar o caráter predatório do mercado de apostas virtuais. Ele sustenta que, além de não proteger adequadamente os direitos dos consumidores, a exploração de apostas via leis federais e regulamentações ministeriais é constitucionalmente imprópria.

Em sua avaliação, o mercado de apostas não pode ser regulamentado de maneira que ignore os riscos sociais e os danos causados, especialmente à população mais vulnerável, que pode ser mais suscetível ao vício e à exploração financeira.

A decisão sobre a inconstitucionalidade das leis será tomada pelo Supremo Tribunal Federal, que avaliará se as normas contrariam ou não os princípios e valores da Constituição Federal.

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