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PGR concordou com a prisão de Braga Netto por tentativa de obstrução no inquérito do golpe

Em sua manifestação, Gonet afirma que há provas suficientes de "autoria e materialidade dos crimes graves cometidos" e defende que o general representa "risco concreto à ordem pública e à aplicação da lei penal".

Isabella Lopes

14 de dezembro de 2024 às 14:10   - Atualizado às 14:42

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feed dividido Isabella de Foto dividida 2024 12 14T142046.746 Foto: Isac Nóbrega/PR

O procurador-geral da República Paulo Gonet concordou com a prisão preventiva do general Walter Braga Netto no inquérito do golpe. Consultado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ele emitiu parecer favorável à prisão do ex-ministro.

Em sua manifestação, Gonet afirma que há provas suficientes de "autoria e materialidade dos crimes graves cometidos" e defende que Braga Netto representa "risco concreto à ordem pública e à aplicação da lei penal".

"As medidas cautelares diversas da prisão não se revelam suficientes. Nesse contexto, a prisão preventiva requerida afigura-se como medida capaz de garantir a ordem pública, a aplicação da lei penal e a conveniência da instrução criminal, evitando-se a continuidade do esquema criminoso deflagrado e das interferências nas investigações, que seguem em curso", diz o parecer.

Braga Netto foi preso neste sábado, 14, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Ele é suspeito de tentar obstruir a investigação sobre o plano golpista para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder.

O general é um dos 40 indiciados pela PF por golpe de Estado, organização criminosa e abolição violenta do Estado de Direito. O ex-ministro foi citado 98 vezes no relatório do inquérito do golpe e apontado como "figura central" do plano golpista.

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O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, implicou Braga Netto em sua colaboração premiada. A delação estava sob ameaça de rescisão, até que Mauro Cid mudou de estratégia e resolveu entregar o ex-ministro.

A Polícia Federal atribui a Braga Netto envolvimento direto com a Operação Punhal Verde e Amarelo, ação de militares das Forças Especiais do Exército, os "kids pretos", matar o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice Geraldo Alckmin. A casa do ex-ministro, em Brasília, teria sido palco de uma reunião para o planejamento da missão golpista, em novembro de 2022.

A investigação da PF também demonstrou a influência do general em uma campanha velada, mas agressiva, de pressão ao então comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, para aderir ao golpe.

Como mostrou o Estadão, em um computador apreendido na sala dos assessores do general Walter Braga Netto, a PF encontrou uma apresentação que teria sido usada por ele em palestras em clubes militares. O material aborda a "evolução do relacionamento civil-militar no Brasil" e defende o "poder de pressão política" das Forças Armadas para "participar ativamente das decisões nacionais" e "ampliar o poder de influência na Esplanada".

Estadão Conteúdo 

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