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PCC e Comando Vermelho negociam transporte de drogas na Amazônia; diz Abin

O relatório aponta que facções criminosas mantêm relações com grupos colombianos para escoar drogas do Brasil para Europa e África.

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28 de outubro de 2025 às 18:27   - Atualizado às 18:37

Amazonia compartilhada

Amazonia compartilhada Foto: Divulgação / Agência Brasil

Um relatório recente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) revelou que facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), atuam em parceria com grupos colombianos na região amazônica para a compra e transporte de drogas. Segundo o documento, a chamada Amazônia Compartilhada é um dos principais corredores do narcotráfico mundial.

A investigação aponta que a rota utilizada por essas organizações começa na produção de cocaína na Colômbia e no Peru, seguindo pelo chamado corredor do Solimões, um trajeto fluvial que conecta a fronteira entre Brasil e Colômbia. A droga é distribuída tanto para consumo interno quanto para exportação, com destino a mercados na Europa e na África.

De acordo com a Abin, a cooperação entre PCC, CV e grupos colombianos vai além do transporte. As facções brasileiras também estariam envolvidas na logística, armazenamento e até na segurança dos carregamentos, garantindo que o fluxo de entorpecentes siga de forma organizada. “O crime organizado se aproveita das condições geográficas e da pouca fiscalização na região amazônica para ampliar suas operações internacionais”, aponta o relatório.

Especialistas em segurança pública alertam que a presença dessas organizações na Amazônia representa riscos não apenas para o Brasil, mas para a estabilidade da região como um todo. “O PCC e o Comando Vermelho conseguiram transformar áreas remotas da Amazônia em pontos estratégicos de tráfico, ampliando sua capacidade de atuação e lucro”, afirma o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Daniel Monteiro.

O relatório da Abin também destaca que o envolvimento do PCC e do CV com grupos colombianos não se limita às drogas. Há indícios de cooperação em contrabando de armas e outros ilícitos que reforçam a força dessas facções na região. Além disso, a atuação dessas organizações aumenta a vulnerabilidade de comunidades locais e contribui para a violência urbana e rural, que se espalha para áreas próximas aos centros urbanos.

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O governo brasileiro afirma que combate as facções com operações coordenadas da Polícia Federal e das Forças Armadas, mas reconhece que a extensão territorial da Amazônia e a complexidade das rotas de tráfico tornam a tarefa desafiadora. Especialistas defendem uma combinação de ações de inteligência, fiscalização fronteiriça e cooperação internacional para reduzir o impacto do narcotráfico.

O relatório da Abin reforça que o PCC e o Comando Vermelho consolidaram um modelo de negócios criminosos transnacional, que depende da articulação com grupos estrangeiros e do controle de rotas estratégicas. A atuação dessas facções na Amazônia evidencia como o crime organizado brasileiro expandiu sua influência além das fronteiras nacionais, tornando-se um problema de segurança regional.

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