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"O Paraguai resolveu invadir o Brasil": fala de Lula é alvo de repúdio da Câmara paraguaia

Parlamentares do Paraguai afirmam que declaração do presidente brasileiro simplifica o contexto histórico da Guerra da Tríplice Aliança

30 de julho de 2026 às 10:50   - Atualizado às 10:57

Presidente Lula.

Presidente Lula. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Deputados e senadores do Paraguai criticaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após declarações sobre a Guerra da Tríplice Aliança, no último domingo, 26 de julho. Parlamentares do país vizinho afirmaram que o presidente brasileiro apresentou uma versão simplificada do início do conflito ao dizer que o Paraguai "decidiu invadir o Brasil".

A declaração foi feita durante visita de Lula à Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), quando o presidente defendeu investimentos na área da defesa e o fortalecimento das Forças Armadas. No discurso, ele afirmou que o Brasil valoriza a paz, mas relembrou o conflito envolvendo os dois países.

"Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, certa vez, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não seria grande coisa, durou cinco anos", declarou o presidente.

As declarações provocaram reações entre representantes do Parlamento paraguaio. O presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, do Partido Colorado, afirmou que Lula tratou com pouca sensibilidade um dos episódios mais marcantes da história do país.

"Lula, você está falando com demasiada leveza sobre a maior tragédia da nossa história, o maior genocídio do nosso continente", declarou Latorre em comunicado institucional.

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Segundo o parlamentar, a Guerra da Tríplice Aliança teve origem na intervenção militar do Brasil no Uruguai e deixou consequências profundas para o Paraguai. Latorre afirmou que o conflito resultou na morte de cerca de 60% da população do país e de aproximadamente 90% da população masculina, além de provocar grande destruição.

Na mesma manifestação, o deputado também fez referência a declarações anteriores de Lula sobre a guerra na Ucrânia e afirmou que o presidente brasileiro voltou a abordar conflitos armados de forma inadequada. Segundo ele, o povo paraguaio conhece o custo da guerra por causa das perdas sofridas durante o confronto do século XIX.

Repúdio de outros parlamentares 

As declarações do presidente brasileiro também motivaram manifestações de outros parlamentares paraguaios.

O deputado de oposição Rubén Rubín, do partido Hagamos, afirmou que Lula tenta "distorcer a história". Em publicação na rede social X, o parlamentar escreveu que um povo que esquece seu passado permite que ele seja reescrito conforme interesses de terceiros.

Já a senadora Esperanza Martínez, da Frente Guasú, avaliou que as declarações do presidente brasileiro representam "resquícios do imperialismo" e afirmou que o conflito não pode ser analisado sem considerar o contexto histórico que antecedeu a guerra.

Outro a comentar o assunto foi o senador e historiador Eduardo Nakayama, do Partido Liberal Radical Autêntico. Segundo ele, Lula deixou de mencionar que a intervenção do Império do Brasil no Uruguai ocorreu antes da campanha militar paraguaia em Mato Grosso, episódio que, na avaliação do parlamentar, contribuiu para o início da guerra.

A Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai, foi resultado de uma série de disputas políticas e territoriais na região da Bacia do Prata durante a segunda metade do século XIX.

Conforme o contexto apresentado, a intervenção militar brasileira no Uruguai, em 1864, é apontada por parte da historiografia como um dos fatores que contribuíram para o agravamento da crise. Posteriormente, o Paraguai apreendeu o navio brasileiro Marquês de Olinda, no Rio Paraguai, e invadiu a então província de Mato Grosso.

Na sequência, Brasil, Argentina e Uruguai firmaram a Tríplice Aliança e passaram a combater o Paraguai em um conflito que se estendeu por cinco anos e marcou a história dos países envolvidos.

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