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Nikolas Ferreira apresenta PEC que prevê corte de salários de políticos em até 50% em caso de desequilíbrio fiscal

O projeto pretende fazer com que autoridades também assumam parte dos efeitos de decisões que contribuam para o aumento do descontrole das contas públicas.

Redação

13 de agosto de 2026 às 09:57   - Atualizado às 10:00

Deputado federal Nikolas Ferreira.

Deputado federal Nikolas Ferreira. Foto: Câmara dos Deputados

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) apresentou na quarta-feira, 12 de agosto, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução temporária dos salários de autoridades em situações de desequilíbrio das contas públicas. Batizada de PEC da Responsabilidade, a proposta estabelece medidas que podem atingir deputados, senadores, presidente da República, vice-presidente e ministros.

O texto cria um mecanismo progressivo para reduzir os subsídios das autoridades quando determinados indicadores fiscais atingirem os limites previstos na proposta. Na primeira etapa, o corte chegaria a 25%. Se o cenário de desequilíbrio continuar, a redução poderá alcançar 50%.

A PEC estabelece dois critérios para o acionamento do mecanismo. Um deles ocorre quando o governo descumprir a meta de resultado primário por dois anos consecutivos. O outro considera um aumento de cinco pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB) na dívida pública ao longo de dois anos.

Segundo Nikolas Ferreira, a proposta pretende fazer com que autoridades também assumam parte dos efeitos de decisões que contribuam para o aumento do desequilíbrio fiscal. O deputado apresentou a medida durante uma coletiva de imprensa.

Como funcionaria a PEC da Responsabilidade

A proposta estabelece um sistema temporário e progressivo de ajuste fiscal. O mecanismo entraria em funcionamento caso o país registrasse uma das situações previstas no texto.

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A primeira condição envolve o descumprimento da meta de resultado primário durante dois anos seguidos. O resultado primário representa a diferença entre receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida.

A segunda possibilidade considera o crescimento da dívida pública. Pela proposta, o mecanismo também seria acionado se a dívida aumentasse cinco pontos percentuais em relação ao PIB no período de dois anos.

Quando uma dessas condições ocorrer, a PEC prevê uma redução de 25% nos subsídios das autoridades alcançadas pela medida. Caso o desequilíbrio fiscal continue, o texto permite uma segunda etapa. Nesse cenário, o corte poderá chegar a 50% dos subsídios. A proposta inclui entre os atingidos deputados federais, senadores, presidente da República, vice-presidente e ministros.

Ao apresentar a PEC, Nikolas Ferreira afirmou que o cidadão não deveria assumir sozinho os efeitos de decisões que aumentem os gastos públicos e agravem o cenário fiscal.

“O cidadão não pode ser sempre o primeiro a pagar a conta quando o governo gasta errado. Se quem decide o gasto não sente nenhuma consequência, que incentivo existe para ter responsabilidade?”, afirmou o deputado durante a coletiva.

Nikolas defendeu uma regra que, segundo ele, vincule o poder de decisão sobre os gastos públicos a consequências para as autoridades responsáveis.

“Quem tem o poder de gastar também precisa assumir o custo da irresponsabilidade. Chega de discurso. Responsabilidade fiscal tem que ter consequência”, declarou.

O deputado informou que a ideia recebeu inspiração de uma proposta associada ao presidente argentino Javier Milei. Na justificativa apresentada junto à PEC, Nikolas Ferreira afirmou que a proposta pretende colocar diretamente na Constituição um regime temporário e progressivo de ajuste fiscal.

 

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